
2010. Dois mil e dez. Mais um ano que passou. Dizemo-lo tantas vezes, ouvimo-lo tantas vezes, mas a verdade é mesmo essa, pura e simples: o tempo passa depressa. Parece que ainda me vejo a brincar com as bonecas, a fazer de professora e de médica, a usar vestidos cor-de-rosa com totós e ganchinhos e sapatos a condizer, a pedir colo aos meus pais apenas porque era agradável sentir aquele conforto. Parece que tudo isso aconteceu há tão pouco tempo, mas a verdade é que este ano vou ser maior de idade, vou poder tirar a carta de condução, vou poder entrar para a faculdade e, mais uma vez, tudo vai mudar drasticamente. Olhando para trás, não me arrependo de maior parte das minhas acções, orgulho-me de muitos dos meus feitos e conquistas, mas não consigo evitar pensar se aproveitei como devia. Talvez se me fosse dada a oportunidade de voltar atrás fizesse tudo de maneira diferente. Talvez fizesse tudo exactamente da mesma maneira. Não sei. A verdade é que, mais uma vez, é-me completamente impossível não sentir a tal nostalgia que sinto sempre que sei que as coisas mudam, sempre que tenho mais um ano em cima. Mas, ao mesmo tempo, sinto-me verdadeiramente feliz. Feliz por tudo o que passei, porque sei que todos os erros, todas as dificuldades, todos os obstáculos, todas as pessoas que fizeram parte deste ano que passou...tudo isso me fez crescer ainda mais, fez com que me tornasse mais forte. Cada vez mais me apercebo de que nem tudo pode ser para sempre, de que as pessoas vêm, mas acabam por ir embora, de que as coisas podem correr mal, mas há uma altura (por muito tempo que ela demore a chegar) que a face da moeda vira e que tudo começa a entrar nos eixos. E fico contente, porque todos os anos inicio uma nova etapa da minha vida e todos os anos cresço mais um pedaço, não em altura, mas em personalidade, em coração, em ser Pessoa. E, por isso, agradeço do fundo do coração a todas as pessoas que fizeram de mim aquilo que sou hoje. Quer por terem estado sempre lá para mim, por me terem amado por aquilo que eu sou realmente, por me terem aberto os olhos nas alturas mais difíceis, por terem sido honestas comigo, quer por me terem desiludido, por não terem sido capazes de ultrapassar as dificuldades a meu lado e terem partido, quer por me terem odiado simplesmente porque não éramos compatíveis. Fico verdadeiramente feliz por ser quem sou. Porque apesar dos momentos complicados, tenho quem quero ao meu lado e, apesar de me entristecer bastante, não preciso de ninguém que não me queira, que não me ame como eu mereço. E por isso sei que as pessoas que vão embora são as que nunca foram verdadeiramente minhas amigas.
E, agora, apesar da nostalgia e de uma certa tristeza, sinto-me aliviada por poder começar um novo ano, por poder aprender e viver mais, por poder crescer mais ainda e me tornar numa pessoa melhor. Dois mil e dez. Será um bom ano, verão!