segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

telejornais


Não sou pessoa de telejornais, de notícias sobre o resto do mundo, de actualizações diárias. Não sou desse tipo, simplesmente porque tudo o que vejo são catástrofes, tragédias atrás de tragédias. Entendo perfeitamente que tenhamos de estar informados, que até faça parte de alguma cultura geral e que temos de encarar a realidade. Mas se o Mundo tem tanta desgraça, se as pessoas são tãos crueis, fúteis, egocêntricas e gananciosas que nem capazes são de respeitar a vida humana ... Então não quero encarar a realidade. Não quero ser culta. Não quero pensar que o facto de poluirmos o planeta irá de facto ser o motivo pelo qual não haverá um futuro garantido para nós ou para os nossos descendentes. Não quero encarar o facto de determinadas organizações e países terem massa, quase suficiente, de urânio para construírem uma bomba atómica e explodirem com isto de vez. Não quero imaginar que vou sair daqui, que não posso experenciar uma vida adulta. Muito menos quero imaginar que iremos acabar assim. De uma forma tão injusta, sem termos oportunidade de retaliar, de corrigir os nossos erros. Não gosto de pensar nisso. Não quero pensar nisso.

Definitivamente, não sou pessoa de telejornais.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Mas, afinal, quem é que tu pensas que eu sou? Diz-me, por quem é que me tomas? Pensas que sou como uma boneca de trapos, como um brinquedo qualquer que pedes no Natal, recebes e usas enquanto gostas, enquanto te entretem, mas quando se parte ou quando recebes um novo, mais interessante, podes deitar fora, guardar no baú, juntamente com os restantes que rejeitaste? Dás-me vontade de rir. Não sei se ache graça ou se tenha pena. Pena porque, no fundo, não passas de uma solitária, de uma menina sem amigos, de alguém que parece que tem tudo o que quer, mas não tem ninguém que a ame. Eu amei-te, eu tentei ser alguém que toda a gente precisa, eu dei-te o valor que nunca tiveste. Ainda assim, foste tu quem me mandou ir embora. E eu fui. Fui, mas voltei. Ou, pelo menos, estive disposta a voltar quando pareceste precisar de mim, quando me pediste (ou então achei que tinhas pedido). No fundo, sabia que não o devia fazer, porque todos me avisavam e, no fundo, algo dentro de mim me dizia que me ias magoar de novo. O problema é que sempre fui uma pessoa de segundas oportunidades, e foi sempre isso que me prejudicou. Não devia ter voltado, não te devia ter estendido a mão, porque quiseste o braço inteiro só para ti. Consegues ser uma pessoa tão inteligente, mas só para o que queres, infelizmente. Tentei ser simpática para ti, fui educada. Enquanto te era útil, retribuíste-me a simpatia. Fizeste-me um ultimato, dizendo-me que gostavas de mim e que não suportavas ver-me com alguém que odiavas. Mas agora que as coisas não são como queres, mandas-me embora novamente. Desta vez, chega. Podes vir rogar pelo meu perdão, podes chamar-me o mais alto que puderes (até danificares as cordas vocais), podes correr o mais depressa que quiseres, mas eu não voltarei mais para ti. Posso estar lá quando estiveres triste, apenas porque não suporto ver ninguém a sofrer, mas não signifca que sou tua amiga. Não serei mais tua amiga, A tua amiga. Não voltarei para ti.

love

Encontrei este rascunho aqui, escrito a 28 de Agosto de 2009, e então decidi partilhá-lo.

«É engraçado como a vida é capaz de dar tantas voltas. Quanto mais tentamos negar algo, afastar alguém, contrariar aquilo que sentimos, mais essas coisas se viram contra nós e nos atacam. Talvez ninguém consiga compreender. Talvez nem nós mesmos tenhamos conseguido entender (até agora) a profundidade dos nossos sentimentos e a força do nosso amor. A verdade é que sempre achei que fomos feitos um para o outro, sempre achei que acabaríamos juntos. Mas nunca quis trocar o que tínhamos por algo diferente. Sempre tive medo de te perder, de uma maneira ou de outra, acho. E agora, a teu lado, quaisquer dúvidas foram completamente apagadas e todos os sentimentos escondidos desabrocharam finalmente. E sinto-me mais feliz do que nunca, a teu lado.»

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

two thousand and ten


2010. Dois mil e dez. Mais um ano que passou. Dizemo-lo tantas vezes, ouvimo-lo tantas vezes, mas a verdade é mesmo essa, pura e simples: o tempo passa depressa. Parece que ainda me vejo a brincar com as bonecas, a fazer de professora e de médica, a usar vestidos cor-de-rosa com totós e ganchinhos e sapatos a condizer, a pedir colo aos meus pais apenas porque era agradável sentir aquele conforto. Parece que tudo isso aconteceu há tão pouco tempo, mas a verdade é que este ano vou ser maior de idade, vou poder tirar a carta de condução, vou poder entrar para a faculdade e, mais uma vez, tudo vai mudar drasticamente. Olhando para trás, não me arrependo de maior parte das minhas acções, orgulho-me de muitos dos meus feitos e conquistas, mas não consigo evitar pensar se aproveitei como devia. Talvez se me fosse dada a oportunidade de voltar atrás fizesse tudo de maneira diferente. Talvez fizesse tudo exactamente da mesma maneira. Não sei. A verdade é que, mais uma vez, é-me completamente impossível não sentir a tal nostalgia que sinto sempre que sei que as coisas mudam, sempre que tenho mais um ano em cima. Mas, ao mesmo tempo, sinto-me verdadeiramente feliz. Feliz por tudo o que passei, porque sei que todos os erros, todas as dificuldades, todos os obstáculos, todas as pessoas que fizeram parte deste ano que passou...tudo isso me fez crescer ainda mais, fez com que me tornasse mais forte. Cada vez mais me apercebo de que nem tudo pode ser para sempre, de que as pessoas vêm, mas acabam por ir embora, de que as coisas podem correr mal, mas há uma altura (por muito tempo que ela demore a chegar) que a face da moeda vira e que tudo começa a entrar nos eixos. E fico contente, porque todos os anos inicio uma nova etapa da minha vida e todos os anos cresço mais um pedaço, não em altura, mas em personalidade, em coração, em ser Pessoa. E, por isso, agradeço do fundo do coração a todas as pessoas que fizeram de mim aquilo que sou hoje. Quer por terem estado sempre lá para mim, por me terem amado por aquilo que eu sou realmente, por me terem aberto os olhos nas alturas mais difíceis, por terem sido honestas comigo, quer por me terem desiludido, por não terem sido capazes de ultrapassar as dificuldades a meu lado e terem partido, quer por me terem odiado simplesmente porque não éramos compatíveis. Fico verdadeiramente feliz por ser quem sou. Porque apesar dos momentos complicados, tenho quem quero ao meu lado e, apesar de me entristecer bastante, não preciso de ninguém que não me queira, que não me ame como eu mereço. E por isso sei que as pessoas que vão embora são as que nunca foram verdadeiramente minhas amigas.
E, agora, apesar da nostalgia e de uma certa tristeza, sinto-me aliviada por poder começar um novo ano, por poder aprender e viver mais, por poder crescer mais ainda e me tornar numa pessoa melhor. Dois mil e dez. Será um bom ano, verão!