
Percorro aqueles caminhos vezes sem conta, à espera de te encontrar. As minhas sandálias estão gastas do tanto que corri; o meu vestido está agora estragado do tanto que eu caí. Continuo a correr, ofegante, esperançosa de te ver mais uma vez, de alguma forma. Tropeço num ramo e caio novamente. As minhas mãos estão esfoladas, a minha cara arranhada e todo o meu corpo sujo e coberto de nódoas negras. Não sei se parti alguma coisa, não consigo sentir o meu próprio corpo de tão dorido e cansado que está. Faço por me levantar, mas não tenho mais forças. Não tenho forças para lutar por ti, pelo nosso amor. Amor esse que ficou algures perdido no tempo e no espaço; amor esse que tu abandonaste e rejeitaste. As imagens dos momentos que passámos juntos passam-me pela cabeça como slides rápidos e precisos. Apercebo-me agora que nada vai voltar a ser como era, que não voltarás para mim, nunca mais. Enterro a cabeça no meio das mãos, ainda deitada no chão sujo, e choro como nunca tinha feito. Toda a minha esperança se desvanece e prometo a mim mesma que não voltarei a procurar-te, não voltarei a percorrer estes caminhos.


