sexta-feira, 26 de junho de 2009

Paths

Percorro aqueles caminhos vezes sem conta, à espera de te encontrar. As minhas sandálias estão gastas do tanto que corri; o meu vestido está agora estragado do tanto que eu caí. Continuo a correr, ofegante, esperançosa de te ver mais uma vez, de alguma forma. Tropeço num ramo e caio novamente. As minhas mãos estão esfoladas, a minha cara arranhada e todo o meu corpo sujo e coberto de nódoas negras. Não sei se parti alguma coisa, não consigo sentir o meu próprio corpo de tão dorido e cansado que está. Faço por me levantar, mas não tenho mais forças. Não tenho forças para lutar por ti, pelo nosso amor. Amor esse que ficou algures perdido no tempo e no espaço; amor esse que tu abandonaste e rejeitaste. As imagens dos momentos que passámos juntos passam-me pela cabeça como slides rápidos e precisos. Apercebo-me agora que nada vai voltar a ser como era, que não voltarás para mim, nunca mais. Enterro a cabeça no meio das mãos, ainda deitada no chão sujo, e choro como nunca tinha feito. Toda a minha esperança se desvanece e prometo a mim mesma que não voltarei a procurar-te, não voltarei a percorrer estes caminhos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Goodbye

Aqui estou eu, a implorar-te de joelhos que não te vás embora, que não me deixes sozinha. Tu olhas para mim com esse jeito doce e carinhoso, afagas-me o cabelo, piscas-me o olho e largas-me a mão. Beijas-me a testa e então aí trocamos um último olhar e dizemos adeus. Começo a soluçar baixinho quando viras as costas, mas tu nem olhas para trás. Continuas a andar até que a tua imagem desaparece no horizonte.

Sei que te vais lembrar de mim, sei que vou ficar na tua memória para sempre. Como poderia não ficar? Mas sei também que sem ti nada vai ser o mesmo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Wanting

Eu quero. Quero ser a flor mais bonita do teu jardim. Aquela que tu regas e adubas com mais cuidado, aquela a quem tu dás todo o carinho e atenção, aquela que tu, atentamente, vês crescer.
Eu quero. Quero ser a pedrinha que tu apanhas enquanto passeias na praia, junto ao mar. Aquela que tu levas para casa, envernizas, pões à mesinha de cabeceira e usas como um amuleto da sorte.

Eu quero. Quero ser a única estrela no teu céu. E se não puder ser a única, então deixa-me ser a mais brilhante, a que mais se destaca, a maior de todas. Aquela em que tu reparas, aquela que tu olhas fixamente enquanto divagas e sonhas acordado.

Quero ser as páginas que tu marcas no teu livro preferido, as palavras e expressões sublinhadas com toda a atenção. Quer ser o início, o enredo e o fim de cada capítulo. Quero ser a protagonista de cada história que tu inventas, a imagem que tu pintas nos teus quadros.
Eu quero. Eu quero acompanhar-te dia e noite, noite e dia. Quero que penses em mim, só em mim.
Não deixes esta flor murchar, não lhe arranques a raiz, não a guardes na escuridão. Deixa-a germinar e crescer dentro de ti.

Eu quero, eu queria...mas sei que não podes. Nem tu, nem eu.

domingo, 21 de junho de 2009

Fake

É aquela minha parte possessiva, é o querer ter tudo para mim e não poder. É aquele medo do futuro e de deixar o presente tornar-se passado. É o medo da cápsula do tempo, da caixinha de recordações guardada no sótão abandonada e esquecida, do álbum de fotografias velho e poeirento, de um monte de diários empilhados de alturas em que os "i"s ainda levavam um coraçãozinho em vez de um ponto. É aquele sentimento que me invade e me traz memórias de alguém que já fui mas que tentei deixar de ser. É daqueles momentos em que volto a ser quem era e tudo o que construí é destruído lentamente.
Eu jurei. Eu jurei a mim mesma que mudava. E por isso fico calada e engulo. Engulo tudo e finjo que tudo está normal. Fingidora, é o que sou.

sábado, 6 de junho de 2009

empty

E depois...quando tu finalmente te começas a sentir em casa, quando te habituas ao que te rodeia, quando começas a amar aqueles que entraram na tua vida...és obrigada a abandonar tudo isso. E, novamente, sentes aquele sentimento angustiante e vazio.
Vazio. Vazio. Vazio.