segunda-feira, 19 de julho de 2010

tears

(...) subo as escadas, cambaleando de um lado para o outro, enquanto tento manter o equilíbrio, agarrando-me às paredes e ao corrimão. Chego ao quarto e o meu corpo e as minhas mãos movem-se automaticamente para trancarem a porta à chave. Não tenho sequer oportunidade de me aproximar da cama e me deitar nela, afagando a cara na almofada (como é costume). Em vez disso, as minhas pernas (já) enfraquecidas deixam de suportar o peso do meu corpo e fazem-me cair no chão, onde acabo por me sentar, encostada à porta. As lágrimas nunca deixaram de cair neste longo percurso e mesmo aqui, no meu próprio refúgio, ponho as mãos na cara e encosto-me aos joelhos, tentando fazer com que o silêncio das minhas lágrimas vença o som dos meus soluços. E escondo-me, de todos eles. De mim mesma. Eu quero que estas lágrimas me purifiquem a alma e levem daqui todos estes pensamentos, todas estas emoções.

Junho de 2010


(desculpem a ausência, mas andei em exames e agora estou de férias . tenho mais é de aproveitar! vou tentar responder aos comentários assim que possível)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Broken dreams

O que é que fazemos quando, de repente, o nosso mundo é abalado e os nossos sonhos são destruídos? Passamos uma vida inteira a lutar por um objectivo, a dar tudo de nós...e de repente, tudo desaparece. Eu não quero fórmulas mágicas, eu sei que não há respostas certas. Mas eu quero algumas respostas para as minhas dúvidas porque, sinceramente, não sei o que fazer agora. Qualquer coisa que seja. Sabem o que é sonhar com algo desde que somos crianças e não conseguirmos concretizar isso, mesmo tendo esgotado todos os recursos e utilizado todos os esforços? Foi isso que acabou de acontecer. Ainda estou a lutar, mas fiquei tão desiludida. Tenho medo de não conseguir, medo de ser tarde demais. É difícil agora.
 

Um sonho (quase) por água abaixo.

terça-feira, 6 de julho de 2010

match

Tal como um fósforo, acabado de acender, tu chegaste e iluminaste a minha vida. A tua presença aquecia-me a alma e enchia-me o ego, nas medidas certas. De repente, os meus dias começaram a fazer mais sentido e já não me sentia mais abandonada, já não estava sozinha no escuro. Tu eras a minha luz de presença, sem a qual eu não era capaz de adormecer à noite; eras a vela sempre acesa que me guiava pela casa fora quando a luz falhava. 
E agora...agora que o fogo consumiu toda a madeira e não tem mais nada para queimar, a chama apagou-se. Assim como tu te apagaste dos meus dias. Se calhar a culpa foi minha (como sempre). Não consigo deixar de pensar que foi esse o motivo que te levou a ir embora e a deixares-me novamente só. Devia ter-te atirado mais lenha, devia ter-te fornecido mais papel. Fui eu que deixei que a tua chama se apagasse. E, olhando para ti, vejo uma amizade queimada por uma chama que tinha sido tão intensa, mas que agora se extinguiu. E assim como não posso guardar um fósforo que já não funciona comigo, também não te posso trazer mais no bolso. Muito menos no coração. Eu não vou esquecer que te acendeste e queimaste por mim e não vou esquecer que fui eu que te apaguei.

Um dia, quem sabe.

domingo, 4 de julho de 2010

onze

Aquela foi a noite das nossas vidas, meu amor. Foi a noite onde tudo mudou, foi a noite que nos tornou naquilo que somos hoje, foi nessa noite que nos unimos novamente. Lembro-me como se fosse ontem. Tu gostavas dela e eu suportava as vossas conversas por telefone até às tantas da manhã, ou a meio de momentos só nossos. Eu suportava a maneira como tu a elogiavas e dizias que gostavas dela, como já não te lembravas de gostar de alguém. Eu sufocava os sentimentos e ficava calada a ver tudo, imune. E naquela noite não deu mais para aguentar. Quando eu te disse «Eu acho que estou a gostar de ti, mas eu não quero. Tu gostas dela e eu não quero estragar tudo.» E não queria, no fundo queria era ver-te feliz, mesmo não sendo a meu lado. Não queria perder aquela amizade que nos tinha demorado tantos anos a construir, tanto tempo a fortalecer. Mas, meu amor, aquela foi a noite onde tudo mudou. Foi a noite onde eu me declarei, foi a noite onde tu começaste a ver que sempre tinhas gostado de mim. Foi a partir daí que voltamos a construir a nossa história e foi por causa dessa noite que estamos onde estamos agora.

Já imaginaste, se aquela noite não tivesse acontecido?

E já lá vão onze.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

I hate you

Palavra do dia: Odeio-te. Já te tinha dito que não suporto olhar para ti, que não aguento a tua atitude de arrogante e senhor do mundo? Detesto pessoas que acham que têm sempre razão. Detesto-te, ouviste? É feio de dizer, mas tenho a certeza de que se to dissesse na cara, se ouvisses todas estas palavras de desprezo e desilusão, acabarias por mudar. O problema é que tu achas que fazes e não fazes. O problema é que tu pensas que ninguém tem nada a ver com a tua vida, mas nós as duas temos. E não é pouco. O problema é que tu achas que aquilo que fazes chega, mas não chega; é preciso muito mais. É preciso esforço da tua parte. Não estás já farto de a ver a sofrer por tua (aliás, vossa) causa? Não consegues ver o que ela fez por nós, os sacrifícios que ela faz todos os dias, o quanto ela nos defende e nos ama? E isto é o que vocês lhe dão em troca: nada. E ela ainda é capaz de tomar conta de vocês, de vos sustentar, de vos amar. Eu não. Eu odeio-te. Pelas discussões que a magoam, pelas atitudes que a desiludem, pelas palavras atiradas com violência. Por seres assim, por não quereres ser melhor, por não a entenderes e continuares a magoá-la desse jeito.


Eu odeio-te.