Hoje não quero abrir os olhos. Não me apetece dar importância ao despertador, mas sim desligá-lo e deixar-me ficar na cama, debaixo dos lençóis. Hoje, mais do que nos outros dias, tenho uma vontade inexistente para me levantar e fazer alguma coisa da vida. Não quero ter de pegar no telemóvel e ver uma mensagem com o teu nome como remetente. Não quero ler o que escreveste e não quero que me ligues para ter de ouvir a tua voz. Não quero falar sobre ontem, não quero falar sobre o que se passa, não te quero contar aquilo que estou (ou não) a sentir. Hoje não me apetece ouvir o teu nome nem ver fotografias em que apareças. Hoje não.
Há uma parte de mim que quer contar-te tudo. Quero poder dizer-te a estranheza que estou a sentir, como estou a achar as coisas diferentes, como acho que tudo está a voltar àqueles maus tempos que passámos os dois. E depois, há outra parte de mim, uma parte que parece falar mais alto, que diz que tenho de fingir que está tudo bem, que tenho de te omitir estes sentimentos e evitar o teu sofrimento. Essa parte diz-me que isto é só uma fase. Não imaginas como quero acreditar que desta vez vai ser para sempre, que desta vez vou ser capaz de te fazer feliz. O pior é que, às vezes, acho que já é tarde demais.






















