Odeio-te. Odeio-te por apareceres de noite nos meus sonhos, sem aviso prévio, para me atormentares e por conseguires deixar-me de mau humor quando acordo. Odeio-te por estares bem, por teres seguido a tua vida sem olhar para trás, quando eu sou incapaz de seguir em frente com a minha. Odeio-te por teres trancado a sete chaves a gaveta das nossas memórias, enquanto que a minha está estragada e todas as memórias voam no meu pensamento a toda a hora, sem eu as conseguir apanhar e colocá-las de volta no lugar devido. Odeio-te por não teres saudades minhas, ou pelos menos por não o demonstrares, enquanto que eu ainda não descobri o que fazer com este aperto enorme que sinto constantemente no peito e com este vazio que me assombra a alma. Odeio-te por teres marcado a minha vida, por sempre teres feito parte dela e por teres deixado tanta coisa boa para eu recordar, pois com tudo isso torna-se impossível odiar-te. Odeio-te por teres ido embora, mas ainda assim não teres saído do meu coração. Odeio-te por todas as promessas que fizeste e quebraste e por todas as juras de amor que fizeste em vão. Odeio-te por me teres feito acreditar que o verdadeiro amor existia e por destruíres todas as minhas esperanças e sonhos. Odeio-te por me teres feito sentir que eras o homem da minha vida e por me fazeres pensar que nunca vou encontrar ninguém igual ou melhor que tu. Odeio-te por ainda mexeres tanto comigo. Odeio-te porque quero odiar-te e não consigo. Odeio-te porque quero esquecer-te e, mesmo sem eu me aperceber, continuas sempre presente. Odeito-te mas não te odeio realmente. E, ao menos, também não te amo (mais).
