Não consigo deixar esta racionalidade de parte. Por alguma razão sempre quis e decidi enveredar pelas ciências, pelas físico-químicas e pelas matemáticas, por ser tudo tão claro, objectivo e lógico. Por ventura, este traço já terá nascido comigo, já o trago desde pequena, mas acho que, com o passar dos anos, a vida acentuou-o ainda mais. As dificuldades pelas quais passei e os momentos de mágoa e de dor ajudaram-me a construir esta capa invisível tão resistente. Fui aprendendo a distinção entre o deixar que te passem por cima e o retaliar. Comecei a deixar o coração de parte, porque sei que ele se tornou demasiado frágil e que, por isso mesmo, não seria capaz de aguentar outra daquelas. De vez em quando, ainda dá um sinal ou outro e fica afectado com algumas situações, magoado. Fica chateado, acima de tudo, por ser deixado de parte tantas vezes, mas eu sei o que é melhor para ele e para mim. E isto é o melhor. O melhor é deixar a racionalidade ganhar todas as batalhas, mesmo que isso me possa prejudicar em alguns momentos. Posso até nem saber viver a vida ao máximo, mas ao menos sofro menos. Para já, isso vai bastando.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Alguém que acredite em nós
É verdade que há pessoas que nascem com um dom para certas coisas e outras não, mas nem sempre é necessária uma boa dose de talento. Por vezes, a dedicação supera toda e qualquer vocação, porque (por norma) as pessoas que têm o gene do talento activo não precisam de se esforçar tanto, dado que é um facto adquirido. As outras, por sua vez, vão à luta, dão tudo por tudo, suam até à última gota para poderem chegar àquele nível que foi estipulado, chegando, muitas das vezes, a ultrapassar os "talentosos". Em certas alturas, tudo aquilo que precisamos é de alguém que aposte em nós, alguém que acredite que seremos capazes de chegar tão longe, que podemos atingir o que os outros atingiram. Ter uma pessoa que esteja no fim da pista a torcer por nós, que nos aplauda quando atingimos a meta e festeje connosco pode ser o suficiente para vencermos todas as batalhas.
P.s - Hoje não poderia estar mais contente. Que orgulho na minha equipa.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Saudades de ser feliz
Onde estão as fábulas, as histórias efémeras, as promessas de amor e os finais felizes? A minha mente viaja até aos tempos em que fui verdadeiramente feliz, desprendida de preocupações, inerte às mudanças. Não havia medo do desconhecido, não havia lágrimas pelo passado irremediável, não existia ressentimento ou dor. Porque tudo era simples, tudo era mágico, tudo se baseava naquilo que vivíamos. O horizonte era algo desconhecido, não sabíamos o que havia para além dele, mas acreditávamos que um dia iríamos descobrir. Partíamos à descoberta de novas aventuras, de desvendar novos mistérios e não hesitávamos em aceitar um novo desafio. Hoje não é assim. Há arrependimentos, receios de tentar e falhar, preferimos viver na realidade que conhecemos em vez de largar tudo e partir em busca de um futuro melhor. Agarramo-nos às coisas que gostamos, mesmo que não nos façam bem. Hoje eu sei com demasiada certeza a pessoa que sou, sei também a pessoa que quero ser. É uma confiança absoluta e excessiva e o meu coração sente saudades de quando não havia certezas de nada, de quando só se vivia o momento. Tenho saudades de ser feliz só porque sim.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Play
Este é o momento de deixares de pressionar constantemente o botão de "rewind" e passares apenas a carregar no "play", para que possas viver dias plenos e felizes. Não olhes mais para o passado, não penses nas pessoas que te deixaram ou naquilo que fizeste por quem não merecia. A verdade é que se fizeste coisas boas pelas pessoas erradas podes ter a certeza de que não serás má pessoa. Fazer o bem não é para todos, sabias?
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Perdoar vs. Esquecer
Nada pior do que aquela subtil diferença entre o perdoar e o esquecer. Acções completamente diferentes, uma um pouco menos dificultada, a outra praticamente impossível de praticar, mas no fundo encontram-se interligadas. Não, perdoar nem sempre implica esquecer, porque a recordação permanece, mesmo escolhendo passar por cima de tudo. No entanto, se alguém for capaz de esquecer, teve também de abrir o seu coração e ter tido a audácia e a coragem de perdoar. Quando a mágoa insiste em residir, o perdão torna-se inatingível, bem como o esquecimento. É por isso que as pessoas ficam a remoer tanto tempo no mesmo assunto e acabam por sofrer da maneira que sofrem. Porque querem seguir em frente, com todo aquele sofrimento e rancor no coração. Com toda aquela raiva, decepção e arrependimento a atormentarem o seu quotidiano. Primeiro, tentem engolir o orgulho, dar o braço a torcer e dar o vosso perdão. Perdoar não significa que as coisas possam voltar ao que eram ou que vocês vão voltar a comunicar ou a ser amigos dessa pessoa. Significa apenas que foram capazes de arrancar aquele peso e aquele tormento de vocês para que não passem a vida a olhar para trás e a recordar maus momentos e possam continuar a viver, em paz.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Os actos são como flechas
Agora vives nessa vidinha miserável e ignóbil. Já viste a ironia desta situação? Afinal de contas, a pessoa que me disse que “os actos são como flechas” tinha razão e o feitiço acabou por se virar contra o feiticeiro. Diz-me lá, como conseguias ser assim, ter aquela personalidade? Como foste capaz de causar tantos danos, de impingir tanto mal a todas aquelas pessoas? Pessoas que, inclusive, gostavam de ti, que se sacrificaram para te dar tudo aquilo que nunca mereceste. Doeu. Doeu-me a mim, doeu aos meus, aos teus, mas só não te doeu a ti. Mas dói agora, verdade? No fundo, sempre soube que a vida encarregar-se-ia de ajustar contas e que a justiça um dia iria exercer a sua função. O destino virou-te as costas e resolveu sorrir-me, para mal dos teus pecados. E agora estás aí, como um pobre coitado, sem nada nem ninguém. Às vezes um sentimento de piedade inunda a minha alma, porque ao contrário de ti ainda tenho o meu orgulho e, acima de tudo, ainda tenho coração. Mas, ainda assim, gosto de passar por ti e poder olhar-te de cima, mostrando-te como me tornei superior a ti, sem ter de pisar ninguém pelo caminho. E tu estás na lama, sem nada nem ninguém para te ajudar, porque foram todos embora. Perceberam finalmente a pessoa que realmente és e deixaram-te. E digo-te, não há melhor sensação do que ver que a vida se resolveu a tratar de tudo e a pôr todos os pontos nos i’s.
Apeteceu-me.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Não merecia, mas tinha
Ele queria-a só para ele, mas não a merecia. Nunca fizera nada para a merecer de verdade, tinha-a tratado como boneca de trapos, como lenço de papel que se utiliza e se deita no lixo. Tinha-a desprezado e magoado. E mesmo depois de todas as coisas horríveis pelas quais a tinha feito passar, ainda não conseguia ser homem o suficiente para a respeitar, para a deixar em paz e seguir a vida dela. Era egocêntrico, possessivo e maníaco, não a queria partilhar com mais ninguém, não a queria deixar sozinha. A pobre rapariga queria fugir, não porque não o amasse, mas porque sabia que tinha de mudar de vida, que tinha direito a um mundo melhor. Mas ele nunca a iria deixar partir e sabia que bastava pedir-lhe para ficar que ela acabaria por ceder. Não precisava de a obrigar, embora não hesitasse por um segundo se fosse preciso fazê-lo. Era injusto com ela e ela era ingénua, deixava e permitia tudo aquilo. Permitia que ele lhe roubasse o coração e não o devolvesse nunca mais, mesmo depois de o ter estragado e desfeito em mil pedaços.
Foi o que veio à cabeça.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
"Não chega não falhar"
Não falhar apenas, não chega, sabem? Temos de ser capazes de dar mais, de fazer melhor. Temos de dar o tudo por tudo, de suar até à última gota, de gastar todas as forças que o nosso corpo possui. Não nos podemos contentar com o atingir de uma nota afinada, temos de ir à procura de uma ainda mais aguda, mesmo que isso implique uma ligeira desafinação. Novos passos têm de ser inventados, novas melodias têm de ser compostas, diferentes temas devem ser capazes de inspirar e de alastrar a imaginação de um escritor. Percebem aquilo que pretendo alcançar com isto? No fundo, o esforço tem de ser o máximo para a concretização ser absoluta.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Baú de Recordações
Hoje voltei a abrir o baú com as tuas recordações, como tantas outras vezes. É inevitável deixar-me levar por esta tentação de cada vez que espreito para o cimo da minha estante e vejo uma caixa de sapatilhas bem colorida, pintada à mão, em tons de cor-de-laranja, azul e verde, com pequenas pétalas de orquídea coladas. Subo para o cimo de uma cadeira e ponho-me em bicos de pés para conseguir alcançar esse nosso tesouro. A tampa não possui um único vestígio de sujidade, dada a quantidade de vezes que repito este mesmo passo, ao contrário da nossa amizade, que ficou esquecida algures no tempo, a ganhar pó. Respiro fundo, pondo de parte estes pensamentos, e tento ganhar coragem para remexer no passado (coisa que nunca gostei de fazer). Quando finalmente o faço, entro num mundo completamente diferente do que faz parte da minha realidade nos dias de hoje, entro num mundo que já foi o nosso, num mundo que chegámos a partilhar, outrora. Tenho a oportunidade de rever inúmeras fotografias nossas, na escola, nas nossas casas a fazer parvoíces, em saídas com os nossos amigos; releio bilhetes parvos que passávamos durante as aulas, com desenhos infantis e engraçados, e-mails que trocávamos e comentários que deixávamos nas nossas páginas pessoais; volto a pegar em pequenos presentes que me deste, como cartões de aniversário, pulseiras ou coisas feitas por ti. Tudo isto me transporta até um universo de emoções de todas as cores e feitios. Esboço um sorriso ao relembrar alguns dos momentos que passámos juntas, bons e maus, e fico realmente contente por termos deixado de ser "inimigas" na escola primária e termos descoberto que éramos muito mais parecidas do que aquilo que pensávamos, por nos termos tornado nas melhores amigas. Fico triste por me aperceber de como tudo acabou. Aliás, não considero que tenha acabado, mas atenuou de uma forma excessiva e absolutamente desnecessária. Afastámo-nos em pouco tempo. Perdemos aquilo que construímos durante tantos anos, mas sem uma razão óbvia. Simplesmente aconteceu. Ganhaste uma nova "melhor amiga" e não te condeno por isso. Seguimos as nossas vidas por caminhos completamente diferentes. De vez em quando, ainda nos falamos, mas não é a mesma coisa e fico arrependida e desapontada comigo mesma por não ter sido capaz de alimentar com mais intensidade esta amizade que teve tanto significado para mim. E ainda o tem.
Volto a guardar a nossa caixa, sabendo que amanhã, ou talvez para a semana ou, quem sabe, no próximo mês, vou voltar a pegar nela e vou voltar a este nosso mundo. Tu já foste tudo para mim e mudaste-me muito. Disso, nunca me vou esquecer. E agradeço-te por tudo aquilo que fizeste por mim e por me teres ajudado e ensinado a viver. E ainda continuo a gostar de ti, como sempre. Irei deixar a chave todos os dias do lado de fora da porta, para que possas regressar e entrar na minha vida, quando quiseres.
Volto a guardar a nossa caixa, sabendo que amanhã, ou talvez para a semana ou, quem sabe, no próximo mês, vou voltar a pegar nela e vou voltar a este nosso mundo. Tu já foste tudo para mim e mudaste-me muito. Disso, nunca me vou esquecer. E agradeço-te por tudo aquilo que fizeste por mim e por me teres ajudado e ensinado a viver. E ainda continuo a gostar de ti, como sempre. Irei deixar a chave todos os dias do lado de fora da porta, para que possas regressar e entrar na minha vida, quando quiseres.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Ao longo dos anos
Ao longo destes poucos anos de existência aprendi. Aprendi que se a vida te deita abaixo, tens de arranjar forças, seja em que lugar for, para te voltares a levantar. Aprendi que se o destino se decidir a dar-te um estalo na cara não te deves conformar e deves bater-lhe de volta. Aprendi que não devemos depender de nada nem de ninguém porque o que hoje nos parece ser dado como garantido, amanhã pode mudar e temos de ter um plano B, para não ficarmos perdidos no mundo. Aprendi que devemos defender as nossas perspectivas e os nossos princípios e que não podemos estar à espera que haja uma pessoa que vá lutar por nós. Aprendi que é importante ter em consideração os outros mas que, acima de tudo, devemos pensar em nós mesmos porque também somos importantes. Aprendi que se não gostarmos da pessoa em que nos tornámos, será muito mais difícil arranjar quem goste. Aprendi que devemos ser capazes de passar por cima de críticas absurdas e nada construtivas, assim como insultos e comentários despropositados e que, no entanto, devemos aceitar as verdades. Aprendi que algo oferecido de boa vontade deve ser aceite e que, por vezes, temos de deixar o orgulho de lado e ter a coragem de pedir ajuda quando precisamos. Aprendi que as decisões têm de ser tomadas, boas ou más, e que os caminhos devem ser percorridos.
De nada serve chorar pelo que está feito, de nada serve esperar por algo ou por alguém que não vai voltar, de nada vai servir desejar regressar ao passado, porque só podemos viver o presente. De nada serve tentar empatar o tempo, porque ele passa por nós a correr e quando damos por isso, já perdemos a carruagem e, de uma coisa vos garanto, não há volta atrás.
Ao longo dos anos, aprendi a viver e não apenas a existir.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Tudo mudou
Será que não consegues ver?
Há dois anos atrás abandonaste-me. Deixaste-me na praia a chorar, sozinha no meio de tantos grãos de areia. Lembro-me perfeitamente das palavras que proferiste "Não dá mais. Acabou, desculpa.", sem sequer me dares uma explicação óbvia do porquê de tudo aquilo. Arrancaste bruscamente o teu casaco azul com carapuço dos meus ombros e deixaste-me ali ao frio, sem ti, sem mim. Sem alma, sem nada. Na minha memória está ainda bem presente a força com que o meu corpo caiu na areia e como ela estava seca e fria. Não sei durante quanto tempo fiquei a soluçar e a implorar em silêncio para que voltasses, para que fosse tudo mentira, até porque depois devo ter perdido os sentidos.
Passaram-se dois anos. Eu sofri tanto por ti, eu perdi tanto por tua culpa. Muitas coisas mudaram agora, tinham de ter mudado. E tu agora, depois de dois anos sem dares notícias a ninguém, apareces-me à frente, mandas-me mensagem e pedes-me para estar contigo. Tu sabias que eu não iria resistir, até porque gostava de saber o que te motivou a pores um ponto final na nossa história. Vou ao teu encontro e a primeira coisa que fazes quando me vês é beijar-me e dizer que tiveste saudades minhas. "Saudades minhas, a sério?". Devias estar a brincar.
- Tu deixaste-me sozinha, tu foste embora sem justificação. A minha vida mudou. Eu estou com outra pessoa agora.
- Oh, a sério? – nunca tinha visto aquela expressão da tua parte.
- Achavas que eu ia ficar à tua espera eternamente? Magoaste-me muito, sabias?
- Sim, eu imagino. E peço desculpa por isso.
- Desculpa? Não há perdão para aquilo que tu me fizeste.
Não tive oportunidade para reflectir e reagir ao teu impulso. Pegaste no meu rosto e voltaste a encostar os teus lábios aos meus, com aquela doçura de antigamente. Doçura essa que eu fiz por apagar das minhas recordações (como tantas outras).
- Mas tu ainda me amas, não é verdade? - proferiste, com o teu sorriso terno.
- Talvez. Talvez ainda te ame, porque foste o meu primeiro amor verdadeiro. Talvez ainda te ame por tudo aquilo que vivemos juntos. Talvez ainda te ame por aquilo que éramos há dois anos atrás. Mas já muito tempo passou e tu deixaste uma ferida que nunca ninguém, nem mesmo tu, será capaz de apagar. Ela estava a cicatrizar, não tens o direito de a abrir novamente.
- Eu sei que te fiz mal. Mas estou arrependido, acredita. Eu juro que desta vez vai ser diferente.
- Não entendes? Não vai haver "desta vez", nunca te irei dar uma segunda oportunidade. Eu mereço alguém que nunca me magoe, alguém que me ame como eu realmente mereço. E eu estou com essa pessoa agora. Não gosto dela como gosto ou gostei de ti. Mas vou aprender a amá-la, de uma maneira diferente. Tu és passado. Não vai passar disso.
E com isso, sorri para ti, larguei-te a mão e fui-me embora. Por muito que te tenho amado, não vou voltar a estar com uma pessoa que me magoou tanto. Nunca mais.
Tirado da cabeça :)
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Modo de caminhar
Dizem que a maneira como caminhamos na rua é uma forma de ver o modo como encaramos a vida. Já pensei tantas vezes nisso. Já me tentei observar a mim mesma e reparei que dou pequenos e céleres passos enquanto caminho (mais parece que vou a correr, com pressa de chegar a algum lado quando, na realidade, me dirijo para lado nenhum), sempre de cabeça baixa e de olhos postos no chão. Essa é a maneira como encaro o mundo, maior parte das vezes. A rapidez com que caminho demonstra a forma como me tento sempre esquivar de tudo e de todos, dos problemas, dos obstáculos, dos meus sentimentos e até mesmo da própria felicidade. A quantidade de vezes que a minha cabeça se ergue para admirar o horizonte ou apreciar as pessoas é bastante reduzida, porque quero evitar sentir os olhos dos outros postos em mim, porque não quero olhar e aperceber-me da podridão que reside no resto do mundo, dos enigmas que ainda existem por desvendar e dos problemas que jamais terão uma solução. Tento desviar o olhar para o chão numa tentativa (muitas vezes falhada) de evitar as pedras no caminho e os tropeções no meio do passeio, porque estou exausta de cair e não sei se ainda restariam forças para me levantar. Mas ainda há uma réstia de esperança, de que irá chegar o dia em que tudo isto irá mudar. Vai aparecer o momento em que eu vou conseguir caminhar de cabeça erguida para o mundo e para a vida, vou caminhar calmamente, admirando a bela paisagem que me rodeia e cumprimentando as pessoas conhecidas que passam por mim e me sorriem.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
The Right Moment
- Eu estou aqui para ti, sempre estive.
- Eu sei e agradeço-te por isso. Mas, neste momento, isso já não é suficiente. O meu coração está tão ferido que deixou de ter espaço para ti ou para qualquer outra pessoa. A pessoa que eu queria realmente já não está aqui e primeiro terei de ser capaz de superar isso, de curar essa ferida e só depois vou poder voltar a abrir o meu coração para alguém novamente. Desculpa. Eu amo-te, mas agora não é o momento. Agora não tenho forças para mais nada.
Por vezes, o amor não chega e o verbo amar deixa de ser tão imperativo como o verbo sobreviver. Quando perdemos alguém que nos marcou intensamente, o nosso coração passa apenas a funcionar como fornecedor de sangue, numa tentativa de assegurar o mínimo funcionamento das funções vitais para o nosso organismo. E sendo que amar não é uma necessidade fisiológica, focamo-nos apenas em tentar sobreviver a cada dia, aguentando cada doloroso segundo. A nossa alma acaba por adormecer e todas as portas e janelas se fecham para que nenhuma pessoa possa entrar, não restando espaço para mais nada nem para ninguém.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Mom
Não sei porque razão nunca me ocorreu escrever sobre ti. Não consigo entender como sempre fui capaz de deixar tudo o que sentia no papel mas, no entanto, nunca me ocorreram palavras para redigir algo para ti. Estou contigo todos os dias, conto-te todos os aspectos bons e maus do mundo em que vivo, sabes de cor todos os grandes e até mesmo os mais ínfimos pormenores do meu dia-a-dia e os meus sentimentos em relação a ti parecem estar presos a uma rotina sem mudanças, leves ou bruscas, e localizados numa roda sem princípio nem fim. No entanto, eu espero que saibas que não é por isso que deixas de ser importante. Dou-te valor, por vezes não tão elevado como aquele que realmente mereces, todos os dias e admiro-te mais do que admiro qualquer outra pessoa neste mundo. Por tudo o que passaste, por te teres decidido a lutar por nós, mesmo depois de todas as advertências e dificuldades, por teres sobrevivido a uma vida injusta e extenuante. Eu admiro-te e tenho orgulho em ti. Orgulho na pessoa que és, orgulho por ser sangue do teu sangue. Eu amo-te, e não é apenas por seres minha mãe. É por seres uma super-mulher com um S e um M maiúsculos, é por seres bem mais do que minha amiga, é por seres a melhor pessoa que eu conheço. Por vezes posso até ser injusta contigo, posso até ficar magoada com as tuas atitudes ou com aquilo que dizes, mas eu sei que me queres bem e que desejas o melhor para mim. E eu amo-te por isso. E por tudo o resto.
Mãe.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Mudar por uma noite
Talvez vá calçar os meus sapatos vermelhos com um salto alto de 15 cm, coloque um vestido provocador preto, com um enorme decote e um comprimento reduzido e me vá maquilhar. Um pouco de base, porque não quero parecer (mais uma) daquelas miúdas que parecem bonecas de porcelana após uma enorme sessão de bronzeamento, um risco preto carregado nos olhos, juntamente com uma sombra prateada, seguido de umas pinceladas de máscara nas pestanas e um batom de um vermelho suave nos lábios. Quem sabe não irei colocar um daqueles colares vistosos e aqueles brincos caídos com brilhantes e não irei esticar o cabelo, para acentuar este loiro natural que tantas raparigas invejam. Sim, talvez faça isto tudo, talvez me produza de uma maneira que nunca ninguém viu e me transforme numa pessoa diferente e irreconhecível, apenas por uma noite. Vou para o meio da pista, de copo na mão e com o corpo repleto de uma energia demasiado poderosa, dançar sem me preocupar com quem me está a ver ou com aquilo que os outros poderão dizer de mim. Dançar porque me apetece divertir e porque, acima de tudo, me quero esquecer, apenas por umas horas, de como sou na realidade e de como a minha vida está um caos neste momento.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
I'm such a coward
- Desculpa-me, Emily. Eu juro que não te volto a deixar, eu juro que agora é para sempre.
Continuaste abraçado a mim, como se o mundo fosse acabar dali a umas horas, como se não houvesse nada ao nosso redor, como se o tempo tivesse parado ali mesmo. Eu permaneci quieta, envolvida pelos teus braços. Sentia as tuas roupas molhadas coladas ao meu corpo, e os teus lábios gelados como a neve encostados na minha testa. Não me apercebi sequer que estava a chover torrencialmente e também não me quis preocupar com as nossas roupas completamente encharcadas em água. A minha expressão era de apatia e tristeza, o meu pensamento estava em branco e os meus olhos fixavam aquele vazio incapaz de preencher aquele momento. Aquele dia em que tu te despediste de mim, entraste no comboio e me deixaste sozinha na estação percorreu-me rapidamente a memória, assim como todas aquelas horas passadas a chorar, sem comer e sem dormir, na tua ausência. Naquele instante, tive uma vontade imensa de me desprender do teu abraço, de fugir dali e de nunca mais te ver. Apetecia-me bater-te e gritar-te bem alto que era tarde demais, que eu não era um brinquedo com o qual podias brincar e deitar fora sempre que te apetecesse. Quis insultar-te e fazer pouco de ti por teres desperdiçado uma garota como eu, que nunca mais iria voltar para ti. Mas, como tantas outras vezes, não tive coragem de o fazer. O meu corpo tinha esgotado as poucas forças que lhe restavam, a minha voz tinha ficado enjaulada na garganta e a minha razão tinha endoidecido de vez. Queria que continuasses a agarrar-me porque apesar de sentir o teu corpo húmido, ele continuava quente, como sempre tinha sido (exactamente como eu me lembrava dele). Não fui capaz de te dizer que não, não fui capaz de me ir embora, não fui capaz de te fazer aquilo que tu me fizeste. Porque sou uma fraca, porque sou, sempre fui e sempre serei uma covarde. Porque te amo excessivamente, descontroladamente e irracionalmente, porque preciso de ti em demasia, porque não sei viver sem te ter a meu lado. Então ali fiquei, colada a ti, debaixo daquela chuva e daquele frio, na esperança de que agora fosse diferente. Na esperança de que agora sim, o teu "sempre" não iria ter um fim.
Mais um completamente inventado.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Voltar atrás
Ali estávamos as duas, sentadas num banco de jardim, numa tarde como tantas outras. As nossas conversas eram sempre intermináveis, mas desta vez decidiste ser diferente e mudar um pouco o assunto. Infelizmente. Gostava que não o tivesses feito. Estragaste tudo!
- Sabes, às vezes gostava tanto de poder voltar atrás no tempo.
- Ai sim? E para quê?
- Para poder mudar as coisas entre nós. Tenho saudades de quando éramos amigas de verdade. Saudades das conversas que partilhávamos, das palhaçadas que fazíamos, das tuas gargalhadas quando eu te contava algo estúpido, de falarmos de rapazes, de saber tudo de ti. De poder gritar ao mundo que te adoro!
- Hum..
- Juro-te que dava tudo para voltar atrás. Arrependo-me tanto das coisas que (te) fiz. Se pudesse, fazia tudo de maneira diferente. Sinto tanto a nossa falta.
- Como queiras.
- E ainda gosto de ti, Em, acredita. Eu nunca vou esquecer o que passámos, vais ser sempre importante para mim.
- Eu, por um lado, até gostava de poder esquecer tudo, seria tão mais fácil. É que agora é um bocado tarde e já não podes voltar para trás.
- Dá-me mais uma oportunidade, por favor. Vamos voltar ao que éramos.
- As oportunidades esgotaram-se, R. Posso até fingir que somos amigas, mas sabemos perfeitamente que não é verdade. E isso nunca mais será possível. Tu estragaste tudo.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Sou eu
"Não és tu, sou eu!". Não fazes ideia de como essa frase faz todo o sentido para mim, agora. A culpa não é e nunca fui tua, tu sempre foste perfeito, sempre foste o ideal e o sonho para qualquer rapariga. Já foste o meu sonho e não faço ideia como é que pude esquecer isso com tanta facilidade. A minha cabeça está afogada em água, talvez por ter passado tanto tempo no meu quarto a chorar. Não, a culpa não é tua, é minha. Eu é que estou a ter estes pensamentos idiotas e estas dúvidas sem razão de ser. Eu é que não consigo ver a pessoa maravilhosa que tu és, interior e exteriormente, comigo e com os outros. Eu é que me estou a esquecer dos bons momentos que passámos juntos, do que tu fizeste por mim e do quanto eu já te amei, por duas vezes. Eu até achava que nunca tinha deixado de te amar, na realidade. Nunca gostei de ser assim tão racional, sabes? Gostava que existisse um botão para desligar o pensamento e deixar apenas o coração ligado. O que uns têm a mais, eu tenho a menos, aliás, quase nem tenho, o que é pior. Eu sei que dentro de mim ainda resta qualquer coisa, só tenho é de o encontrar agora. Eu sei que algures ainda está aquela certeza de que tu ainda és a pessoa ideal para mim, o meu mundo e aquele sentimento de que te amo. Agora só tens de ser paciente e dar-me algum tempo e espaço para eu procurar tudo isso e poder encontrar.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Incontrolável
As palavras saem-me do pensamento como flechas e são transferidas por impulsos nervosos, à velocidade da luz, para os meus dedos que tocam as teclas do computador com uma brutalidade imensa, fazendo com que as palavras surjam rapidamente no monitor. Frases incoerentes e sem qualquer tipo de conexão surgem no bloco de notas e chego à conclusão de que a minha escrita reflecte exactamente o meu estado de espírito neste momento. Não tenho competências para controlar este bombardear constante de pensamentos soltos que se misturam entre si e metamorfizam com os sentimentos. Fui louca ao pensar que poderia ter algum controlo sobre as palavras, quando não consigo sequer ordenar o que me vai na mente e, muito menos, no coração.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Algum espaço
Não tens o direito de me pressionar dessa maneira, não tens o direito de me fazer sentir (minimamente) culpada. Não achas que já basta o facto de estar a passar por esta situação, de nem sequer perceber ao certo aquilo que estou a sentir, de saber que te estou a magoar com estas atitudes e de que tenho medo que tudo aconteça da mesma maneira? Posso até nem compreender aquilo que estás a sentir, até porque nunca vivi uma experiência parecida, mas posso imaginar. Eu sei que estás a sofrer, tenho noção de que não me queres perder porque me amas. Eu sei disso. Mas, ainda assim, tens de aprender a dar-me o espaço que preciso neste momento. Não, não te peço um tempo, porque ambos sabemos que isso seria apenas um adiamento do juízo final, do (nosso) fim. Peço-te apenas que não me pressiones, que não me estejas sempre a dizer que não me queres perder. Eu não quero ter de tomar uma decisão por ter pena de ti ou algo parecido, eu quero perceber com exactidão o turbilhão de sentimentos que navegam dentro de mim neste preciso momento. Eu quero uma oportunidade para esfriar a cabeça e clarear o pensamento, para decidir correctamente. Para ti não é nada fácil, mas não penses que a tarefa está mais facilitada para mim, porque não está. Magoa-me ver o que te estou a fazer, magoa-me pensar no que poderá acontecer(-nos). Mas compreende que preciso de uns instantes para mim, para poder reflectir sobre o assunto, para poder dizer olá aos meus pensamentos e compreendê-los, por uma vez que seja. Dá-me umas horas, uns dias ou umas semanas. Vou tentar ser breve. E não finjas que está tudo bem, eu tentarei fazer o mesmo. Compreende que, ao pressionares-me dessa maneira, não estás a ser justo comigo.
Tenta pôr-te no meu lugar, só desta vez.
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