A vida dá tantas voltas e nós nem nos apercebemos. Passamos tanto tempo a criticar, a dar valor a coisas insignificantes, a queixarmo-nos daquilo que não temos e até daquilo que temos... desperdiçamos tantas horas da nossa existência a preocuparmo-nos com coisas fúteis que acabamos por nos esquecer daquilo que realmente importa. É em ocasiões como a que aconteceu há dois dias, que paro para pensar e me deparo com a quantidade coisas inúteis que me rodeiam.
É por isso que, quanto a ti, quero dizer-te isto (já que a coragem para to dizer pessoalmente dificilmente irá surgir): eu errei, sim. Ambos errámos. Errámos por dizermos coisas que nos magoaram mutuamente, errámos por termos virado costas mediante as adversidades que surgiram, errámos por não termos dado valor àquilo que passámos juntos e àquilo que supostamente significávamos um para o outro. E se o mundo acabasse amanhã? E se um de nós, de repente, amanhã deixasse de existir? Talvez não penses nestas coisas, mas tendo em conta os acontecimentos desta última semana, dou por mim a reflectir verdadeiramente sobre isto. E sei que nunca me iria perdoar se tu fosses embora e eu não te pudesse dizer o quão arrependida estou de ter deixado que as coisas acabassem da maneira que acabaram. Nenhum de nós fez um esforço sequer. Bem sei que já disse que fiz tudo por ti, mas agora começo a ponderar que talvez isso não seja cem porcento verdade. Tu foste tudo para mim e sei que ambos podíamos ter feito as coisas de maneira diferente. Até porque tenho a certeza que a minha vida seria muito mais rica se ainda te tivesse do meu lado. As coisas podem até nunca mais voltar a ser as mesmas, posso até nunca mais voltar a falar contigo mas fica aqui registado que eu dava tudo para poder voltar atrás e ter evitado que a nossa vida se tivesse desenrolado desta maneira. Dava tudo para que ainda estivesses aqui, do meu lado.

