Porquê? Porque é que não me ouves? Porque é que não consigo arranjar maneira de projectar a minha voz o suficiente para que ela te possa alcançar? Nem de microfone na mão, nem com o amplificador mais potente eu consigo. Eu quero gritar. Quero gritar bem alto, mas as minhas cordas vocais não aguentam esta amplitude durante muito mais tempo. A minha voz começa a tornar-se demasiado aguda e ambos sabemos que eu não vou conseguir manter-me de pé. Não posso ser eu. Não posso. Estou a ver as pessoas a taparem os ouvidos, não posso estar a falar assim tão baixo. Tens de me ouvir, meu amor. Por favor, tira esses phones dos ouvidos e ouve a minha música. Eu estou a gritar e tu é que não ouves. Imploro-te, ouve-me.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Há dias em que nem as pessoas que mais amamos nos conseguem fazer sorrir.
É em dias como este que me chego a sentir inútil. Estás triste, estás desiludido e chateado. A tua voz está fraca e os teus olhos estão fixos no chão. Nem consegues erguer a cabeça enquanto andas. Foi um mau jogo (e ainda por cima, um dos últimos que farás), ambos sabemos. Aliás, todos o sabem. Eu olho-te da bancada, tentando imaginar o que estará a passar pela tua cabeça, o que estarás a sentir, pensando no que te ei-de dizer quando estiver contigo, se chegar a estar contigo. Na realidade, não me ocorre nada. É por isso que não chamo por ti, não te peço para vires ter comigo nem corro para te abraçar. Eu tenho a perfeita noção de que nenhuma das minhas palavras te vai fazer sorrir, nenhum dos meus gestos te vai deixar menos triste. Chamam-te e pedem-te para vires ter connosco. Tu caminhas desengonçadamente, ainda com a cabeça baixa, e encontramos-te com lágrimas nos olhos. Não dizes nada e eu dirijo-me a ti e envolvo-te nos meus braços, não me importando com o teu suor. Mantenho-me agarrada a ti e pronuncio uma ou outra palavra de apoio espontânea, mesmo sabendo que não servirá de nada. Tu continuas igual e olhas-me com aquela expressão triste que eu tanto detesto. Eu quero-te fazer sorrir, meu amor. Mas eu sei que hoje é difícil e juro que te compreendo. E por isso mesmo me sinto tão impotente. Aqui, agarrada a ti. Dou-te um beijo e deixo-te ir embora. Talvez amanhã sorrias para mim de novo. Amanhã, de certeza.
Tu sabes, eu só te quero ver bem.
sábado, 29 de maio de 2010
O gira-discos continua a tocar a nossa canção. Vem, meu amor. Vamos dançar os dois em sintonia, enquanto a música toca. Vamos dar as mãos, unir os nossos corpos e tornarmo-nos num só. Deixa-me olhar para ti e admirir a tua beleza (nem que seja por breves instantes) uma última vez. Vamos aproveitar esta melodia e viver este momento, enquanto dura.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Feitiço
Entraste e dirigiste-te de imediato ao balcão, onde cumprimentaste o empregado e pediste o teu habitual whisky, com aquele trago amargo, pelo qual sempre tiveste uma imensa apreciação. Passaste por mim e, mais uma vez, nem reparaste em mim. Não desviaste os olhos para me olhar, mesmo tendo acabado de me empurrar. É a tua maneira de ser. Sempre foi. Preocupado com o seu próprio umbigo, com as suas preferências e hábitos. Nunca olhaste em teu redor, nunca te deste ao trabalho de te preocupares com os outros. E, ainda assim, eu é que ainda não consegui desviar o olhar. Tu enfeitiçaste-me, naquele dia em que nos conhecemos. Lembras-te? Eu estava caída no chão, debaixo daquela trovoada arrepiante, à chuva. E tu deste-me a mão, abrigaste-me da chuva, falaste comigo, levaste-me a casa, sem nunca me falares de ti. Sem nunca me dizeres o teu nome. Foi a única vez em que te importaste verdadeiramente comigo. Hoje, eu conheço-te. Sei quem és, o que fazes, quem são as tuas companhias. Sei tudo sobre ti (pelo menos gosto de pensar que sim), mas pouco foi saído da tua boca, proferido pela tua voz forte e insensível. Tu pouco sabes sobre mim. Continuas igual, sem te interessares pelas coisas que me dizem respeito. Continuas sem me olhar. Nunca mais me deste a mão, depois daquele dia. Nunca mais foste gentil comigo.
Estamos os dois no mesmo bar, em lugares opostos. Eu fito-te de longe e tu nem dás pela minha presença. Estranho, da maneira que te olho, qualquer um conseguia sentir. Mas tu não. Tu nunca. E eu continuo aqui, sem me demover, sem lutar pelos meus interesses. E continuo a olhar-te.
Estamos os dois no mesmo bar, em lugares opostos. Eu fito-te de longe e tu nem dás pela minha presença. Estranho, da maneira que te olho, qualquer um conseguia sentir. Mas tu não. Tu nunca. E eu continuo aqui, sem me demover, sem lutar pelos meus interesses. E continuo a olhar-te.
Deu-me vontade de vaguear .
terça-feira, 25 de maio de 2010
Organismo
Ainda não consegui entender o que se passa comigo. Estes neurónios, estes impulsos nervosos carregados de mensagens electroquímicas andam a dar cabo do meu sistema nervoso. Quando te vejo, algo manda o meu coração bater freneticamente. Não sei ao certo qual é a velocidade máxima que ele tem conseguido atingir nos últimos tempos, mas a verdade é que conseguiu rebentar com os fusíveis. É por isso que às vezes ele não palpita quando te vejo. Ele simplesmente deixa de bater. E é por essa razão que me vês tão pálida. O sangue deixa de ser bombardeado e não consegue chegar a todas as células. (E eu que pensava que pensava que ele batia sempre demasiado depressa quando estamos apaixonados). É para veres. O quanto eu gosto de ti. O meu organismo até reage de maneira diferente.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
I need you
Eu preciso de ti. Ontem, hoje, amanhã e todos os restantes dias da minha vida. Sem ti, não sei quem sou.
Quem me irá proteger das gotas pesadas e grossas da chuva? Quem me irá buscar à escola com um guarda-chuva na mão, para eu não me molhar e apanhar uma constipação? Quem me deixará agarrar a camisola e abafar os gritos no seu peito, enquanto me desfaço em lágrimas? Quem me irá limpar essas lágrimas? Quem irá apaziguar a fúria do meu coração? Quem virá a correr para mim quando já não aguentar de saudades? A quem é que ligarei quando quiser desabafar? Quem é que me irá preparar uma caneca de chocolate bem quente (que até me queima a língua) às tantas da manhã, para me fazer sentir melhor? Quem é que me irá oferecer o casaco, mesmo estando um frio de rachar, só para eu ficar quentinha? Quem me irá avisar para usar protector solar, de forma a não apanhar uma insolação? Quem me irá amparar as quedas? Quem me irá socorrer quando me magoar? Quem irá buscar água oxigenada e betadine para me desinfectar as feridas e pensos para estancar o sangue? Quem irá buscar a linha e a agulha para voltar a coser os pedaços do meu coração? Quem irá procurar os meus óculos para a minha visão deixar de estar turva? Quem me irá dar a mão e caminhar a meu lado, independentemente do rumo e da direcção?
(...) Não fujas. Não me deixes. Eu sem ti não sou nada, não sou ninguém. Eu sem ti fico desamparada e não sei o que fazer à minha vida. O que fazer com ela. Fica aqui, pertinho.
domingo, 23 de maio de 2010
weekend, beach
Sem dúvida que a praia é o melhor sítio para se estar (pelo menos para mim). Não vivo sem este calor, sem este sol e muito menos sem ir até à praia. Gosto de sentir a areia quente nas palmas dos pés. Gosto de caminhar de mãos dadas contigo até à beira-mar e mergulhar os pés na água gélida que me refresca as pernas e molha as pontas das calças arregaçadas à pressa. Gosto de fechar os olhos e sentir o cheirinho a maresia e levar com aquela brisa salgada no rosto, iluminado pelos raios solares. Gosto de estender a toalha na areia e de me sentar a teu lado, enquanto partilhamos histórias e curiosidades. Adoro que olhes para mim como se me estivesses a admirar e que me faças sorrir, de uma maneira que só tu sabes. Fico feliz por partilhar aquela paisagem do pôr-do-sol contigo. Gosto, sobretudo, da sensação de calma e conforto que sinto naquele lugar. Não há nada como a praia, a sério. E, estando lá contigo, ainda melhor.
Este fim-de-semana, que bem que me soube.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
- Sinceramente, nem sei bem. O meu, pelo menos, é feito de remendos, de pedaços de diferentes tecidos e de costuras atrás de costuras. Já não me lembro de que material foi feito, em tempos.
- Mas isso é bom. Se fosse de vidro ou até mesmo de plástico, podia partir com facilidade.
- Tens razão, não o conseguem quebrar. Mas conseguem rasgá-lo ou voltar a cortá-lo aos pedacinhos.
- E também é mais fácil juntar esses pedaços e voltar a cosê-los. Se tivesses de os colar, nunca ficariam tão perfeitos.
O nosso coração é mais forte, por causa desses remendos. Eles marcam as fases de mudança da nossa vida, uns têm o símbolo de momentos felizes estampado e outros recordam-nos dos erros, das fases menos boas. E as costuras? Bem, quando elas rompem tratamos de ir buscar uma linha mais espessa, mais resistente, que não seja tão fácil de ser cortada. E vamos fortalecendo o nosso coração, aos poucos. Não seremos para sempre umas fracas.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Vulgar
- Preciso que o sintas e não que o digas, apenas por dizer. E preciso que não ames mais quinhentas pessoas, mas que apenas me ames a mim.
Tornou-se tão vulgar.
Ainda acho incrível a facilidade com que as pessoas conjugam o verbo amar.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Masterpiece
Foste tu que me desenhaste. À tua maneira, ao teu gosto. Fizeste-me para poderes dizer que te pertenço, para poderes afirmar que foste tu quem me criou, eu bem sei. E, assim como executaste aqueles movimentos rápidos e bruscos no papel e me desenhaste, voltas a apagar-me. Com a maior das facilidades. É isso que significo para ti. Um esboço que tu elaboras, apagas e voltas a retocar...quando te apetece. E eu fico aqui, ansiosa que chegue o dia no qual tu me desenhes a caneta e não me possas voltar a fazer desaparecer, continuando a anunciar que sou a tua obra-prima, a tua melhor criação.
Apeteceu-me.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Boneca
- Pareces uma bonequinha. Daquelas de porcelana.
- Ei, porque dizes isso?
- Porque pareces tão delicada. Como se te fosses partir a qualquer momento.
- Só sou delicada por fora. Por dentro sou extremamente forte. Mais do que muitos.
- Eu sei. Mas ainda assim, tenho necessidade de te agarrar com força e tomar muito bem conta de ti para não te deixar cair. Eu nunca vou deixar que te partas.
- E não ei-de partir. Desde que estejas sempre comigo.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
velocidade da luz
«Sendo a velocidade da luz superior à do som, é normal que algumas pessoas pareçam brilhantes, até abrirem a boca.»
Oh Brás, tens tanta razão .
'The Notebook'
«Quando olho para ti e vejo a tua beleza e graça, sei que cresceram mais fortes com cada dia que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas.»
The Notebook,
Nicholas Sparks
Nicholas Sparks
Eu disse-te. Mesmo que o destino se encarregue de nos separar fisicamente, seja qual for o motivo, nunca nada nem ninguém vai conseguir separar os nossos corações. Nós somos um puzzle e os nossos corações são algumas das peças sem as quais o jogo nunca estará completo. Se não estivermos juntos, nunca estaremos completos. Os nossos corações foram feitos a partir do mesmo pedacinho de barro e são como os transplantes de órgãos ou tecidos: só resultam se forem compatíveis. Os nossos não são apenas compatíveis. Encaixam perfeitamente um no outro.
(desculpem, mas não me canso deste autor)
sábado, 15 de maio de 2010
Eu sempre soube. No fundo, sempre tive a certeza e tu sabes o quanto tentei esconder. De ti. De todas as outras pessoas. E até de mim mesma. Não sei porque não queria tentar, não sei porque deixei passar tanto tempo até me aperceber disto. Foi preciso tu estares ali pendurado, em direcção ao abismo, segurando-me a mão e eu estar prestes a perder-te, para sempre. Foi preciso que tu quase escorregasses para eu acordar e ganhar forças para te puxar para mim. Como é que a luz do sol me pode turvar a visão durante tanto tempo? Eu acho que na altura só não te queria perder. Não queria perder aquela amizade especial que todos invejavam e falavam. Não queria que voltassem a criticar-nos, a apontar-nos o dedo e a julgar-nos como sempre tinham feito. Não queria ser alvo de mexericos, novamente.
Mas depois de te revelar que estava a apaixonar-me novamente por ti e ver os teus olhos a brilharem...Acho que foi aí que não tive mais dúvidas. Foi aí que eu me apercebi de que sempre soubera que tínhamos sido feitos um para o outro. Eu sei que, aconteça o que acontecer, nunca vou conhecer ninguém que faça o meu coração bater tão depressa, que faça o meu dia tão brilhante. Eu sei que vou ficar contigo para sempre.
Desculpa ter sido cega durante tanto tempo.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Give up
A vida cria-nos obstáculos, é verdade. Há dias melhores do que outros, há momentos menos bons, há situações desconfortáveis. Há dias de chuva, há céus cinzentos, há florestas escuras e casas abandonadas. Há flores sem pétalas, há árvores sem fruto, há jardins sem vegetação e praias quase sem areia. Há amizades desfeitas, amores impossíveis e pessoas que se perdem. Há troféus que não são conquistados, há más notas, há caminhos que mudam de direcção. Há desilusões, facadas nas costas e mexericos. Há páginas rasgadas, palavras esborratadas, livros deixados a meio, cofres que nunca se abrem, cartas que nunca chegam ao seu destino, músicas que não se suportam e espelhos partidos. Há escadas que parecem só servir para descer. Há guitarras partidas, bonecas abandonadas, cafés amargos e laranjas mais azedas. Há lágrimas derramadas, gritos abafados e sorrisos falsos. Há abraços sem carinho e beijos por compaixão. Há ainda rasteiras e pisadelas pelo meio.
A vida é difícil, é verdade. Mas nós é que temos de estabelecer uma fronteira. Entre o continuar a lutar e o saber quando desistir. (...) Tudo bem que é preferível viver com a desilusão de não ter tido sucesso do que com a ilusão do que poderia ter sido se tivessemos arriscado. Só que, às vezes, o melhor é deixarmos certas coisas irem com o vento. Nem sempre vale a pena lutar contra a maré. Não quando esta é demasiado forte. Não quando esta nos faz sentir fracos e miseráveis. Não quando esta nos rebaixa e acaba por nos deixar infelizes.
À pressão.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Clouds
"E se eu te disser que as nuvens partiram e levaram tudo o que nos separa?"
Eu digo-te que estás atrasada ou adiantada no tempo ou talvez estejas num local bastante distante de onde me encontro neste momento. Aqui, não consigo admirar o azul do céu com tantas nuvens a preencherem-no. Aqui, as nuvens estão mais carregadas do que nunca, o dia está cinzento. E nós não podíamos estar mais afastadas.
Idiota fui eu, por ter acreditado sempre nas tuas palavras. Pensar que eram sinceras e que as dirigias só a mim.
Nunca mais.
Sister
tenho tantas saudades tuas. Penso tantas vezes em ti, em nós. Nos momentos que passámos. Recordo-me tão bem de como tudo começou, de como tudo era há seis anos atrás.
Ainda me lembro das nossas conversas no escuro, enquanto todas as outras estavam a dormir. Lembro-me de tentarmos sufocar o riso, tão espontâneo e natural, para não acordarmos ninguém. Lembro-me de te contar segredos (chegaste a ser a primeira a saber de muitas coisas minhas), de partilharmos memórias. Lembro-me de falarmos dos nossos namorados e de comemorarmos sempre meses de namoro no mesmo dia. Lembro-me que sempre senti um à-vontade enorme para falar contigo de qualquer assunto (talvez por sermos tão parecidas), até mesmo quanto me sentia desconfortável com algo que tivesses feito. Lembro-me que nunca tivemos uma zanga a sério. Lembro-me de ter ciúmes das tuas amizades, apenas porque não te queria perder. Lembro-me de deixarmos comentários uma à outra só porque gostávamos de demonstrar o quanto a nossa amizade era única e não porque nos importávamos com os outros. Lembro-me de estarmos juntas e me abraçares, só porque te apetecia. De darmos as mãos, de nos rirmos só de olhar uma para a outra. Lembro-me de me dizeres o quanto gostavas de mim. Lembro-me que me chamavas de tua irmã, como se fosse mesmo de sangue (nunca foi, mas era bem melhor do que isso).
Eu sei que as coisas agora são diferentes. O destino desviou os nossos caminhos para rumos diferentes. Fomos separadas, mas apenas fisicamente. Porque quando estamos juntas, mesmo sendo uma ou duas vezes por ano, tudo é exactamente igual ao que era há seis anos atrás (tirando o facto de estarmos mais velhas). E aí eu tenho a certeza de que te posso chamar amiga, sem dúvidas. Tu sempre estiveste presente e sempre tiveste uma importância enorme. Marcaste a minha vida e agradeço-te por tudo o que fizeste por mim. Eu nunca te vou esquecer, prometo.
Minha eterna irmã, amo-te.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Dreams
Deitei-me a teu lado enquanto me afagavas com os lençóis e me deixavas pousar a cabeça junto do teu peito. Adaptei a minha respiração ao ritmo da tua e ficámos sincronizados, como sempre. As duas ecoaram e resultaram nas melhor das melodias. Tão simples, tão natural, tão nossa. O suave toque dos teus dedos no meu cabelo, o conforto e a protecção que só os teus braços sabiam fornecer, a fragrância da tua água-de-colónia e do teu after-shave da qual nunca me esqueci...tudo me deixou hipnotizada! Conversámos durante horas a fio, nas quais me ias murmurando aquelas palavras doces ao ouvido e me ias beijando levemente as mãos e a testa. O teu toque, o teu cheiro, a tua voz reconfortavam-me e então acabei por adormecer abraçada a ti. Quando abri novamente os olhos estava completamente sozinha. Numa cama que não era a nossa, numa realidade que não era a que construí a teu lado. Esforcei-me para recordar tudo, mas os lençóis não tinham o teu aroma, as tuas roupas não estavam aos pés da cama, o teu telemóvel não estava mais em cima da mesa de cabeceira. Já não sentia mais o toque da tua face, com a barba acabada de fazer (sim, porque tu sempre soubeste que me fazias cócegas quando a deixavas crescer), a minha respiração já não estava sincronizada com a tua. Estava fora de tempo e de tom. Ofegante. Já nada naquele quarto te pertencia e então, desejei nunca ter acordado daquele sonho. Desejei ter ficado a dormir para sempre.
Abril de 2009
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Valor
Dar-lhes valor? Para quê?
Não te importes mais com eles. Esquece-os! Eles que falem, que critiquem, que julguem. Querem mostrar-se superiores a ti e a todos os outros? Então força! Se são felizes assim...Eles que finjam gargalhadas, sabes bem que as que tu soltas são bem mais sinceras.
Nunca deixes que te rebaixem, que façam de ti aquilo que nunca foste. Impede-os de pintarem na tua tela, porque o que eles fazem não passam de simples borrões. Não os deixes tocar nas teclas do teu piano nem dedilhar as cordas da tua guitarra. A música é tua e é demasiado bonita para ser estragada com a sua falta de jeito. Não deixes que te preguem rasteiras, não aceites o seu ombro para chorar quando vires que não é de amigo. Recusa quando estiveres caída e te esticarem a mão, quem sabe não foram eles que te fizeram cair? Porque os verdadeiros...aqueles que gostam realmente de ti...esses não te estendem a mão quando cais. Esses estão sempre de mão dada contigo, a segurar-te e puxam-te quando tropeças, impedindo-te de cair numa poça e manchares as calças.
Não deixes que o som da chuva abafe a tua voz. Não permitas que a escuridão da noite esconda o brilho do teu olhar e, muito menos, o teu sorriso. Tu tens o teu valor. E acredita...és muito mais preciosa do que todos eles.
♥
domingo, 9 de maio de 2010
One day ..
Espero que um dia me possa tornar naquilo que sempre idealizaste para mim. Posso não te ter aqui comigo, mas quero que, estejas onde estiveres, tenhas orgulho em mim! Eu nunca serei como eles - e tenho a certeza que, mesmo assim, não eras capaz de os desprezar, de não os amar. - Mesmo que não consiga concretizar alguns sonhos, prometo-te que lutarei pelo que desejo, pela minha felicidade. E prometo-te, terás sempre orgulho em mim.
Ainda penso em ti.
sábado, 8 de maio de 2010
Guiões e improvisos
Quando as luzes se acenderam e os panos subiram, tu já lá não estavas. Deixaste-me a actuar sozinha, perante aquela enorme audiência. Fizeste-me esquecer o guião, bem como tudo aquilo que tínhamos ensaiado, durante tanto tempo. Não sabia improvisar sem ti, porque nunca chegaste a ensinar-me. Recordo-me de to pedir vezes sem conta, ao que tu me respondias (sempre com aquele sorriso que eu adorava) "Hoje não, mas prometo que um dia te ensino" . Implorava-te e perguntava-te porquê e tu desculpavas-te, dizendo que era muito nova. Mas foi por isso. É por isso que, ainda hoje, este medo me invade e esta insegurança me abala. Não sou capaz de gozar a felicidade a cem por cento pois estou sempre à espera do momento em que algo ou alguém acabe com ela. Sei que não és o culpado, antes fosses. Assim podia arranjar uma maneira de me desculpar, de culpar alguém que não eu mesma. Dizem que estava escrito para ser assim, mas ainda não fui capaz de o aceitar.
Mas sabes uma coisa? Deixei-me de manuscritos e aprendi a improvisar sozinha, à minha maneira. Pode não ser perfeito, pode não ser tão bom como tu o fazias - ninguém consegue ter a graciosidade, a espontaneidade que tu tinhas; a confiança que tu demonstravas. Ninguém é como tu eras. - Hoje, sou a protagonista de todas as minhas pequenas peças e contraceno com os mais variados actores. Uns melhores que outros mas, ainda assim, são eles que me fazem crescer e me ajudam a tornar numa pessoa melhor. Umas cenas são tristes, outras alegres e outras simplesmente sem interesse. Todos elas representam a minha vida. E nenhuma é tão bonita, nem tão perfeita como na altura em que contracenavas a meu lado.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Dor de coração
Mal ouviu aquilo, desatou a correr para outro lugar. Não interessava para onde, bastava que saísse dali, que esquecesse o que se tinha passado. Ele viu-a naquele estado e foi atrás dela. Enquanto corriam os dois, ela tropeçou e caiu. O menino foi ter com ela, olhou para os seus joelhos em ferida e para as suas mãos esfoladas e vermelhas.
- Estás bem?
A menina começou a chorar.
- Estás a chorar! Os teus joelhos...doem-te?
- Não...
- As mãos ...?
- Também não.
- Então, porque estás a chorar?
- Porque agora não me consigo levantar. (...) Dói-me aqui dentro. É uma dor insuportável, parece quase que vai explodir (como as bombas, sabes?) Mas este sítio...não está a sangrar.
- Pois não. Sabes, a isso chama-se dor de coração.
- Dor de coração?
- Sim. Não se vê, porque não é como as feridas que fizeste nos joelhos e nas mãos. Mas é uma ferida muito mais profunda, por isso é que dói tanto.
- E como se cura uma ferida que está no coração?
- Não se cura. Mas pode doer menos se tiveres um amigo que goste mesmo de ti e que preocupe contigo.
- Um amigo?
- Sim.
Então o menino esticou-lhe a mão e ajudou-a a levantar. Continuou a segurar-lhe a mão, como se se tratasse de um objecto demasiado frágil, como se se fosse partir, e apertou-a com força. E, apesar das dores físicas e da dor no coração, a menina esboçou um sorriso.
(como amanhã não devo aparecer e hoje tinha que preparar uma apresentação de Português, resolvi partilhar isto convosco. Foi algo de que me lembrei durante a tarde. É demasiado simplista, mas quis variar um pouco)
terça-feira, 4 de maio de 2010
«Message in a bottle»
«Estou aqui para te amar, para te segurar nos meus braços, para te proteger. Estou aqui para aprender contigo e para receber o teu amor em troca. Estou aqui porque não existe outro sítio onde possa estar"
As palavras que nunca te direi
Nicholas Sparks
O meu lugar é ao pé de ti e é lá que ficarei sempre.
(Hoje tenho muito que estudar, desculpem-me)
segunda-feira, 3 de maio de 2010
surpresas (perfeitas)
Foi tão bom. Foi perfeito! Só sei que num momento estava eu sentada em frente ao computador, a fingir que fazia algo de útil e no instante a seguir sinto o telemóvel a vibrar, pensando que se trataria apenas de uma simples mensagem, quando eras tu a telefonar-me. "Importas-te de me abrir a porta, por favor?" oiço-te dizer, achando que estarias a brincar comigo (não seria a primeira vez), pois pensava que seria completamente impossível eu ter estado a trocar sms contigo há segundos atrás e agora estares à porta de minha casa. No entanto, oiço a campainha a tocar. Não sei que me deu. Corri pelas escadas abaixo e abri-te o portão da casa, correndo novamente para te receber de braços abertos na porta. Esperei por ti, enquanto admirava a tua corrida rápida por aquele caminho de pedra para vires ter comigo. Abraçámo-nos (bolas, já nem me lembrava de te abraçar com tanta força) e beijaste-me, seguindo-se um "Estás linda!". Só sei que me mantive abraçada a ti dizendo "Agora não me podes largar, agora não podes ir embora" e tu continuaste a abraçar-me, respondendo "Eu não vou" e beijando-me a testa.
Foi curto, foi pouco tempo, é verdade. Mas em tão pouco tempo conseguiste fazer-me tão feliz. Obrigada, meu amor. Por me recordares que estou sempre no teu coração e por ainda me conseguires fazer surpresas destas.
Amo-te, juro.
P.s - ainda sinto o teu cheiro entranhado na minha roupa. Só quero que nunca desapareça.
domingo, 2 de maio de 2010
Adeus
Há alturas em que as emoções vêm mesmo à flor da pele. Eu consigo fingir que não se passa nada, consigo engolir tudo o que dizes e esquecer tudo o que foste dizendo ao longo dos tempos, tudo porque não queria mais conflitos entre nós. Não queria mais problemas para nós. Quis esquecer, quis passar por cima de tudo, quis passar com uma borracha por cima das nossas vidas, da nossa amizade. Mas depois de tanta coisa, depois de tanta desculpa, de tanto insulto, de tantas oportunidades desperdiçadas...Eu não consigo aguentar para sempre, sabes? Foi por isso que te disse aquilo. Não sei até que ponto pode ser verdade, mas foi o que me saiu em resposta à tua frase seca e irónica. "Foi a melhor coisa que fiz, esquecer-te". Fui má, é verdade. Mas pensar que um dia fomos umas das melhores amigas, pensar que partilhei uma vida inteira contigo, que passei momentos lindos a teu lado...e no fim, tudo o que tu me deste foi igual a nada. Querias receber, só não querias dar. E para mim relações que não são recíprocas não funcionam. Também preciso de receber, entendes? Agora eu vejo, finalmente, que tudo não passou de uma farsa e agora consegues surpreender-me cada vez mais. E é sempre pela negativa. Eu sei que é o melhor para mim. Também será o melhor para ti, estou certa. Pessoas como tu não combinam com pessoas como eu. De quem é a culpa? Eu não sei. Não, não te culpo. Também errei, tenho noção. Falhei contigo e tu falhaste comigo, falhamos para o carinho que tínhamos uma pela outra, mesmo que esse fosse demonstrado à nossa maneira. E assim, aqui fica um Adeus, eterno ou não. Quem sabe?
sábado, 1 de maio de 2010
Parecem ser as duas semanas mais compridas de toda a minha existência. Os dias custam a passar. Os minutos parecem horas, as horas parecem dias. Procuro refugiar-me em algum lugar, procuro fazer outra coisa que me faça abstrair destes pensamentos. É difícil. Sem ti é tudo tão difícil. Eu sei que é apenas uma má fase, mas nunca mais muda de negativo a positivo, nunca mais atingimos o nosso ponto de inflexão...No entanto, a função deixou de crescer, estabilizou e à medida que o tempo passa, continuamos da mesma maneira. Meu amor, deixa-te de funções matemáticas. Quebra as regras e vem ter comigo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
























