domingo, 20 de março de 2011

Mudança

Bem sei que o que custa mais é a mudança, porque já era um hábito, já fazia parte da rotina, do meu quotidiano. No fundo, acho que essa foi a nossa sentença. Porque estávamos sempre juntos, porque nos conhecemos há tanto tempo, há tantos anos. Sinto um formigueiro idiota no estômago sempre que me lembro de que as coisas entre nós acabaram, mas concordo que poderá mesmo ser o melhor para nós. Felizmente, desta vez, foi uma decisão tomada em conjunto e sei que não sairás tão magoado como da última vez o que, de certa forma, me tira um peso dos ombros. Bem sabes que faço tudo por te ver feliz e tu mereces o melhor. Sim, vai ser estranho durante uns tempos e ainda não estou cem porcento certa de que é a melhor decisão mas isso só o tempo será capaz de explicar. Nunca vou esquecer os momentos que passámos juntos, mas talvez estejamos melhores apenas como amigos. Dói um bocado pensar nesta mudança, um tanto ou nada repentina. Mas para quê alimentar algo que já não estava a dar em nada, que nos deixava insatisfeitos? 
Mas de uma coisa tenho a certeza: gosto de ti e gosto de estar contigo, mesmo que seja apenas como amigo. E não te quero perder nunca.

sábado, 19 de março de 2011

Dia do Pai

Para mim não é um dia especial. Ainda me recordo de quando era criança e fazia trabalhos manuais na escola para depois chegar a casa e tos entregar e dizer "Adoro-te pai" ou "És o melhor pai do mundo". Mas agora já não é assim, agora já não posso partilhar este dia contigo, já não posso festejar este momento e tenho de suportar a felicidade dos outros. Não, não é um dia especial. É, aliás, um dia como tantos outros. Porque não é por isso que te vou visitar, não é por isso que vou pensar mais em ti. Eu penso em ti todos os dias, não preciso de um dia especial para me lembrar de que tenho saudades tuas e de que já não podes estar aqui comigo.

Amo-te Pai.

domingo, 13 de março de 2011

Histórias

A capacidade para redigir uma história não se baseia apenas numa boa dose de imaginação e numa mão cheia de criatividade. Nem todos têm essa capacidade de viajar até outro mundo, de criar uma vida imaginária e de transportar essa ilusão para um pedaço de papel. Mas acaba por ser fácil. Mais fácil. Aliás, é sempre mais fácil quando nos tentamos ver num corpo que não seja o nosso, numa realidade que gostaríamos de vivenciar. Chega até a ser fácil transpormo-nos para situações pelas quais nunca passamos, pois podemos especular sobre o que sentiríamos. Podemos criar diferentes princípios e dar-lhes diferentes fins, felizes ou não. Difícil é expor os nossos verdadeiros sentimentos e contar a história da nossa vida. Se quisermos ser honestos, não podemos inventar situações que não aconteceram e temos de reviver tudo, até os momentos de sofrimento. E só aí é que nos tornamos brutalmente vulneráveis, tendo de superar o desafio de encontrar as palavras certas para descrever cada emoção e criar uma história que relate, ponto por ponto, cada acontecimento. Difícil é redigir algo que nos traga à memória, de cada vez que o lemos, aquele momento tal e qual como ele aconteceu e, pior ainda, fazer com que quem não passou por isso seja capaz de se transportar até ao nosso mundo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Jantar

Hoje era o nosso dia. Foi neste preciso dia que, há cinco anos atrás, se deu o início de uma fantástica e eterna história de amor que vai estar sempre presente para contarmos aos nossos filhos e aos nossos netos. Comemoramos esta data durante três anos e neste momento, mesmo sendo o segundo ano que passo sozinha, não consigo impedir que o meu pensamento viaje até ti e até aos momentos que partilhámos. Num acto espontâneo, saio de casa para ir comprar o novo livro daquele que costumava ser o teu autor preferido, assim como adquiro algumas decorações e mercearias. Regresso ao meu lar (que, outrora, já foi nosso) e preparo um jantar digno de um rei. Um banquete, pois tu nunca ficavas satisfeito com pouco. Decoro a mesa da sala de jantar com uma toalha vermelha, coloco uma pequena jarra com duas tulipas e acendo duas velas compridas, com um aroma a lavanda. Ponho a tocar a nossa música, que já foi cantada e dançada tantas vezes por nós, encho os nossos fluttes com champanhe e sirvo o jantar. Sento-me na cadeira à tua espera e apercebo-me que estou a ter uma espécie de deja vu. Acho que já sonhei com este preciso momento: tu tocavas à campainha e, mal eu te abria a porta, beijavas-me suavemente, enquanto abraçavas o meu corpo. O nosso jantar era perfeito, conversávamos durante horas e fazíamos amor intensamente, onde partilhávamos alguns segredos e trocávamos promessas de amor eterno. 
Finalmente, a minha mente consegue fugir deste estado momentâneo de êxtase e apercebo-me de que, hoje, nada será como eu tinha imaginado. Tu não irás aparecer e eu terei de jantar sozinha. Irá sobrar imensa comida e vou passar o resto da noite a arrumar a cozinha e a limpar a sala. Serei forçada a apagar as velas antes de elas derreterem toda a cera e terei de deitar ao lixo as tulipas antes de elas terem tempo para murcharem. Agora sei que tudo não passará apenas de mais um sonho e que as coisas entre nós acabaram definitivamente há dois anos atrás. E nada vai voltar a ser o que era. Infelizmente para mim.


Inventado.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Cansada

Sinto-me severamente cansada. Não tenho vontade para estudar, estar no computador uma hora fatiga-me com mais facilidade do que era costume, a televisão irrita-me cada vez mais e não consigo arranjar nada mais aqui em casa para me entreter nestes últimos dias. Não é por não ter que fazer, aliás tarefas não me faltam. Estudar para a faculdade, estudar para repetir aqueles dois exames nacionais que me estragaram a média e me proibiram de entrar onde sempre quis e me obrigaram a passar um ano num sítio que detesto. Mas também não tenho vontade de sair de casa, de passear. Não quero estar com ninguém, não me apetece falar com ninguém. Sinto-me exausta, é o que é. E eu que pensei que a parte má já tinha passado, que tinha finalmente arranjado forças para continuar em frente e para lutar por aquilo que realmente quero. Mas a verdade é que nunca deixou de ser difícil e isto está-se a reflectir agora. A pressão para não falhar, a vontade de ser melhor, de me esmerar, de superar este desafio e ultrapassar as dificuldades, o stress constante de fazer mais e melhor. Tem sido difícil, é verdade e estou deveras cansada.

Mas vai passar e vou conseguir, espero.

terça-feira, 8 de março de 2011

Perdoar(-te)

Sinceramente, gostava de ser capaz de poder encontrar algo dentro de mim que me fizesse perdoar-te. Falar contigo é fácil, assim como estar contigo, comentar as tuas fotos ou até mesmo receber mensagens tuas. Recordar os tempos que passei contigo deixou de ser doloroso e, como já te tinha dito, não guardo mais rancor. Ajudaste-me a crescer, apesar da enorme ferida que provocaste no meu corpo, depois de todas as más coisas que me disseste. Perdoei-te, desperdiçaste a minha boa vontade, assim como a minha bondade para contigo e voltaste a mexer na ferida, tornando-a mais dolorosa. Agora, já consegui tolerar todo o sofrimento e passei por cima. A ferida sarou por completo, mas a cicatriz, de vez em quando, ainda me dá uns sinais, nomeadamente quando passas por mim. E depois, ainda tenho as minhas duas consciências que me dão cabo da paciência e do juízo. Uma diz-me que tu nunca me mereceste e que eu não devia sequer dirigir-te a palavra; a outra, que fala baixinho e que só se pronuncia de vez em quando, diz-me que era bom se pudéssemos dar-nos bem outra vez. Bem sei que as coisas não seriam o mesmo, mas quem sabe se não poderiam até ser melhores? Talvez tu até tenhas mudado, como afirmas tantas vezes. Talvez tenhas aprendido com os teus erros e queiras construir algo novo a meu lado. 
Mas sabes, primeiro tinha de arranjar algo que me deixasse dar-te uma nova oportunidade, algo que me deixasse passar por cima de todas as pedras que se meteram no nosso caminho e o destruíram. E isso, eu ainda não consegui encontrar e não sei se algum dia será possível.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Que confusão!

Consigo precisar com toda a exactidão aquilo que quero ser, aquilo que preciso de verdade neste instante e de quem sinto falta a cada segundo. Mas, às vezes, sou tão insegura de mim mesma, sou tão desconfiada do meu coração e tenho tanto medo do meu pensamento. A minha alma fica abalada com pequenas coisas e o meu corpo torna-se frágil com facilidade, contra a minha vontade. Por vezes, torna-se tão difícil escolher o caminho a seguir pois não consigo visualizar e distinguir com clareza o certo do errado. A minha mente atraiçoa-me nos piores momentos, nas alturas em que precisava mais dela e deparo-me com situações imprevisíveis, cuja solução está fora do meu alcance e não consigo sair do "faço ou não faço". Fico aprisionada em mim mesma, sem conseguir tomar uma decisão e sem conseguir perceber o que se passa à minha volta, mesmo quando tudo parece tão óbvio aos olhos de quem assiste.

Sou tão confusa.

domingo, 6 de março de 2011

Não sei por onde vou, só sei que não vou por aí

- A sério que vais continuar por aí? 
- Claro. Foi o que aquele homem que nos deu as indicações disse: para seguirmos os trilhos do caminho-de-ferro. 
- Sim, tudo bem. Mas já estamos a andar há horas, e ainda não chegamos a lado nenhum. Anda, vem por aqui. 
- Mas o senhor disse… 
- Já sei, para nunca sairmos do caminho-de-ferro, mas acho que está na altura de seguirmos o nosso próprio rumo. 
- E por onde é que vais? Para onde vamos? 
- Isso eu não sei. Só sei que não vou por aí.


É tão fácil sentirmo-nos perdidos.

sábado, 5 de março de 2011

Andar com a quinta engrenada

Adoro estes dias em que consigo engrenar a quinta com facilidade, logo pela manhã, e circulo a mais de cento e vinte, sem cumprir os limites de velocidade, durante o resto do dia. É tão bom quando temos toda esta energia. É tão bom este bom-humor que contagia, esta felicidade irracional e espontânea. E garanto, melhor do que estar alegre, é tornar o dia dos outros melhor. Gosto de fazer as outras pessoas sorrir. Gosto de poder andar por aí a cantar e a dançar sem razão nenhuma, apenas porque me sinto bem comigo e com o resto do mundo. E gosto ainda mais destes dias em que nada nem ninguém me obrigam a reduzir para terceira, para segunda ou até mesmo a parar e a trabalhar o ponto de embraiagem. É sempre a acelerar, para a frente é que é o caminho!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sonhos

Sonhar acordada não é, nem de longe nem de perto, a mesma coisa. Tudo bem que até é bom podermos ter algum controlo sobre o que se passa no nosso cérebro, mas posso afirmar que não é tão agradável nem tão realista como quando estamos a dormir.

terça-feira, 1 de março de 2011

Um pouco de mim

Não sou fatia de pão com sementes de centeio, não sou bolacha de aveia nem cereal integral. Não sou leite magro e não sou manteiga de soja. Não sou chocolate de leite e muito menos chocolate negro, sou antes chocolate branco: bastante doce e enjoativo quando ingerido em demasia. Tenho de ser aguentada nas medidas e proporções exactas. Não me situo dentro dos padrões da sociedade, não me insiro em nenhuma classe socioeconómica específica e muito menos dentro de um estilo definido, estupidamente rotulado. A minha estatura não é alta, assim como a minha constituição física não integra a classe das pessoas magras ou das modelos (embora, por vezes, até nem me importasse), mas a minha personalidade bate o meu exterior aos pontos. Sou desvairada e boca deslavada, digo o que sinto, o que quero e até mesmo o que não quero. Tenho o coração muito perto da boca. Sorrio e dou gargalhadas com vontade, com ou sem explicação. Os meus sentimentos são facilmente perceptíveis a milhas, embora goste de dar um ar de durona e de me fechar dentro de uma concha para que ninguém me chateie. Ainda gosto de ter aqueles momentos de criança, de contar anedotas parvas e ironia faz parte do meu ser. Não fui feita à medida e sou constituída por encontros e desencontros de mim mesma. Nem sempre me compreendo, nem sempre me conseguem compreender. Deixei de ser coerente há algum tempo, mas a racionalidade continua bem presente, assim como um enorme sentido de responsabilidade e moralidade. Já me tentaram moldar, já fui outra pessoa da qual não tenho orgulho e o que sou agora devo-o a mim, aos meus e aos momentos que passei. Hoje em dia, acima de tudo, mantenho-me fiel a mim mesma, quer gostem, quer não.