Tem alturas em que os sonhos contigo se tornam frequentes e insistem em atormentar as minhas noites de sono. E este... este parecia tão real!
Estavas no meu quarto e, enquanto eu fazia a minha mala para Lisboa, gritavas comigo e imploravas que te perdoasse! Tentavas dizer que a tua intenção nunca tinha sido magoar-me e dizias que ainda pensavas em mim todos os dias. Mas eu simplesmente não queria ouvir. Na minha cabeça uma voz gritava bem alto "ele magoou-te", "ele fez-te mal", "ele não te merece". Gritei-te que era tarde, que nunca ias ter o meu perdão e exigi que saísses dali. E tu assim o fizeste. Ias-te embora e eu sabia que desta vez seria para sempre. Virei as costas e antes que tivesse tempo de me aperceber disso, os meus olhos encheram-se de lágrimas que transbordaram exactamente no mesmo instante. Cobri o rosto com as duas mãos, enquanto tentava abafar o som do meu soluçar, quando, subitamente, senti uns braços a agarrarem o meu corpo, virando-o e abraçando-o com toda a força. Era aquele abraço de sempre, eram aqueles braços que eu conhecia como se dos meus se tratassem, os únicos nos quais me sentia segura, os únicos que sabiam exactamente a força que tinham de exercer e o momento em que precisavam de actuar. Eras tu, a agarrar-me como sempre o tinhas feito, a segurar-me como se nunca tivesses partido. Deixei-me ficar junto a ti, deixei-me ficar a chorar nos teus braços e, naquele momento, era como se as coisas entre nós nunca tivessem mudado. Era como se nunca nos tivéssemos separado e ainda fosses completamente meu. Mesmo que a realidade não fosse essa, mesmo que ficassem inúmeras palavras por dizer e imensas coisas por explicar, naquele momento, deixei-me levar pelo conforto do teu abraço e pelo calor do teu corpo e fingi que tudo estava como dantes.



