domingo, 29 de abril de 2012

sonhos

Tem alturas em que os sonhos contigo se tornam frequentes e insistem em atormentar as minhas noites de sono. E este... este parecia tão real!
Estavas no meu quarto e, enquanto eu fazia a minha mala para Lisboa, gritavas comigo e imploravas que te perdoasse! Tentavas dizer que a tua intenção nunca tinha sido magoar-me e dizias que ainda pensavas em mim todos os dias. Mas eu simplesmente não queria ouvir. Na minha cabeça uma voz gritava bem alto "ele magoou-te", "ele fez-te mal", "ele não te merece". Gritei-te que era tarde, que nunca ias ter o meu perdão e exigi que saísses dali. E tu assim o fizeste. Ias-te embora e eu sabia que desta vez seria para sempre. Virei as costas e antes que tivesse tempo de me aperceber disso, os meus olhos encheram-se de lágrimas que transbordaram exactamente no mesmo instante. Cobri o rosto com as duas mãos, enquanto tentava abafar o som do meu soluçar, quando, subitamente, senti uns braços a agarrarem o meu corpo, virando-o e abraçando-o com toda a força. Era aquele abraço de sempre, eram aqueles braços que eu conhecia como se dos meus se tratassem, os únicos nos quais me sentia segura, os únicos que sabiam exactamente a força que tinham de exercer e o momento em que precisavam de actuar. Eras tu, a agarrar-me como sempre o tinhas feito, a segurar-me como se nunca tivesses partido. Deixei-me ficar junto a ti, deixei-me ficar a chorar nos teus braços e, naquele momento, era como se as coisas entre nós nunca tivessem mudado. Era como se nunca nos tivéssemos separado e ainda fosses completamente meu. Mesmo que a realidade não fosse essa, mesmo que ficassem inúmeras palavras por dizer e imensas coisas por explicar, naquele momento, deixei-me levar pelo conforto do teu abraço e pelo calor do teu corpo e fingi que tudo estava como dantes.

sábado, 28 de abril de 2012

love

Agora sim, eu percebo o que é gostar de alguém verdadeiramente. Chamavam-me de louca, por ventura, até me chamariam de infantil por proferir a palavra "amo-te" com facilidade, mas na realidade também nunca a disse sem o sentir. Entendi bastante cedo qual o poder deste sentimento. Faz-nos sentir bem. Faz-nos sentir melhor connosco, vemos o mundo mais vivo, as cores mais vibrantes. Os odores tornam-se subitamente mais perfumados e parece existir uma agradável melodia constante no nosso pensamento. Começamos a aperceber-nos com mais frequência que tudo o que acontece, por muito mau que pareça, tem sempre um lado positivo e as expressões carrancudas e de tédio de outrora transformam-se rapidamente em sorrisos espontâneos e contagiantes. Ainda que me digam que não foi amor, tenho certeza do que senti. Do que sinto. Sentirmo-nos capazes de dar a vida por alguém, de fazer o que quer que seja para ver essa pessoa feliz? Sentir que nos arrancaram o coração apenas por estarmos longe dessa pessoa? Sentir que toda a nossa vida está dependente de outra pessoa, sentirmo-nos vazios sem ela? Estou certa de que foi amor, estou certa de que ainda o é.

Mas, de certa forma, preferia que os outros estivessem certos e não passasse apenas de uma paixoneta idiota. Por esta altura, já teria sido ultrapassada, com certeza.

sábado, 14 de abril de 2012

Um dia como tantos outros

Este é o teu dia e a vontade de te mandar uma mensagem de parabéns é a maior do mundo. Mas prometi  a mim mesma que não o faria, quero manter-me fiel a mim mesma e quero honrar essa promessa. O meu pensamento viaja até ao passado e mergulha nas inúmeras recordações que guardei desta data: festas em tua casa, junto do calor e simpatia de toda a tua família (que sempre me tratou como mais um membro); as mensagens que te enviei ao longo dos anos, sempre com as palavras mais especiais e escolhidas com o maior dos cuidados; os presentes que te ofereci, comprados com o maior dos carinhos e com receio de que não gostasses; até uma carta que te escrevi, como melhor amiga. Lembras-te dela? Pergunto-me o que terás feito com ela. E, como sempre que penso em ti, esforço-me por recordar os tempos menos agradáveis e lembro-me que este foi também o dia em que me contaste que tinhas outra pessoa na tua vida, apenas porque tinhas medo que eu soubesse por outros.
Eu não te vou mandar mensagem, vou apenas fingir que, para mim, é um dia normal como tantos outros. Um sábado igual ao de todas as restantes semanas, um 14 igual a todos os outros meses, um 14 de Abril igual ao dos restantes anos. Não cedi e não pretendo ceder.

Mas cá no fundo, o meu coração sussurra "Parabéns, meu amor", como se o passado ainda fosse presente. E sei que, apesar de toda a mágoa que sinto dentro de mim, ainda te desejo a maior felicidade do mundo.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

One year .. nothing has changed

Um ano já se passou e a verdade é que não deixei de gostar de ti, um bocadinho que fosse. Não, já não dói tanto, mas "tu não ultrapassas, tu habituas-te". Pergunto-me se algum dia vou ser capaz de te esquecer, se alguma vez me vou sentir com capacidades de estar com outra pessoa sem a comparar a ti. Questiono-me se irá, de facto, aparecer alguém que consiga superar-te em todos os sentidos, aos meus olhos. Uma pessoa melhor, alguém mais adaptado a mim, que seja capaz de me fazer deixar de te amar de vez. Estas dúvidas invadem o meu pensamento constantemente, porque tenho medo. Receio que este primeiro e único amor verdadeiro, esta paixão de 7 anos não desapareça nunca. Não quero estar presa a ti daqui a outros 7 anos. Não quero continuar a pensar em ti com esta frequência. Não quero tornar-me incapaz de amar outra pessoa por tua causa. Eu amo-te com tudo o que tenho, mas sei que não és a pessoa para mim. E tenho medo que não exista ninguém no mundo que tenha sido desenhado para mim. E mais medo tenho ainda de me deixar ficar acorrentada a quem não merece.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

The one

Se calhar todos aqueles clichés são mentira. Até posso nunca vir a encontrar ninguém como tu - aliás, alguém que me complete melhor -, posso até nunca chegar a conhecer uma pessoa que me faça esquecer-te, posso até ter de me contentar com alguém que goste de mim como eu mereço mas não ser recíproco. Se calhar tu até eras a pessoa certa para mim e talvez a culpa até tenha sido minha e agora estou a pagar com juros. No entanto, também pode ser o caso contrário. Por ventura, terás sido tu a desperdiçar a maior oportunidade que a vida te deu de seres verdadeiramente feliz. Podes ser tu que vais passar o resto dos teus dias a olhar para trás e a pensar "e se fosse ela a mulher da minha vida?". Até podes ser tu que nunca tenhas direito ao final feliz como nos contos de fadas.
Mas agora é tarde para arrependimentos, sabes? E eu não dou oportunidades a quem não as merece. A verdade é que continuei a amar-te, mesmo depois de me teres partido em mil pedaços. E isso só poderia querer dizer que eu era a pessoa certa para ti. Mas talvez as outras pessoas tenham razão... Tu não eras nem és a pessoa para mim. E perdeste a tua vez, para sempre.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

14.4

Aquele dia aproxima-se, o teu dia. É estranho pensar nisso porque ainda não decidi como vou agir quando o relógio marcar a meia-noite do dia catorze de Abril. Será o primeiro ano em que não vou partilhar esse dia contigo e, quem sabe, a primeira de muitas vezes em que, para mim, será apenas um dia como tantos outros. Não sei sequer se tu vais achar estranho, mas gosto de acreditar que sim. Gosto de acreditar que, pelo menos, em algum momento dessas vinte e quatro horas tu vais olhar para o telemóvel e pensar "ela não me disse nada" e vais desejar que as coisas não tivessem tomado este rumo. Na realidade, não estou segura do que devo ou não devo fazer, mas elas têm razão quando me dizem que não te devo absolutamente nada. Nós agora somos meros estranhos. Passas por mim, desvias o olhar e finges que não me conheces e eu faço o maior dos esforços para fazer o mesmo. Se nos últimos meses não trocamos uma palavra que fosse, porque haveria eu de te mandar uma mensagem de parabéns? 
Vai-me custar e dói só de pensar nisso. Mas se eu quero seguir em frente, se eu te quero esquecer de verdade, não é isso que tenho de fazer? Fingir que não existes e apagar-te de vez da minha vida?