Why do I always have to be the one who gets hurt?
Eu sei que tenho este feitio complicado e difícil de entender, eu sei. Sei-o melhor do que ninguém, fui obrigada a conviver com ele todos estes anos. Mas mesmo assim...mesmo depois de ter sido pisada tantas vezes, de ter partido o coração a tanta gente e de me terem partido tantas vezes o meu...mesmo assim ainda não consegui mudar.E é agora. Agora é que eu chego à conclusão de que te expulsei no momento errado, de que te mandei embora quando não devia e que, agora que realmente preciso de ti, não voltarás mais. Era teu direito seguir em frente e era minha obrigação saber que nunca te devia ter tomado como garantido. Rejeitava-te porque sabia (ou assim pensava eu) que ias acabar sempre por voltar; chateava-me contigo porque sabia que virias de seguida pedir-me desculpa só para ficarmos bem; magoava-te porque sabia que irias sempre pedir-me para te aceitar e amar. E assim fomos vivendo todo este tempo. Como sempre, achei que íamos ficar eternamente jovens e presos àquele tempo e àqueles momentos que partilhámos. Como sempre, esperei que nada mudasse e que fôssemos diferentes de todos os outros que foram incapazes de manter algo tão verdadeiro e sincero durante muito tempo. Pensei que tu fosses diferentes dos outros. Queria que tivesses sido incapaz de me abandonar, acontecesse o que acontecesse, e que te mantivesses fiel a mim.
No fundo, sei que nunca foste meu, nunca me pertenceste, embora parte de mim sentisse que isso fosse, de certa forma, verdade. Não tenho muitas esperanças de que, a partir deste momento e depois de tudo o que se passou, as coisas melhorem. Já estou alerta para o pior. Mas sei que ainda não me sinto preparada para te dizer adeus de vez.

