segunda-feira, 14 de julho de 2008

desilusões


Por que razão nos desiludimos? Por que razão nos sentimos tão desapontados? E por que razão isso nos afecta tanto?
A verdade é que, à medi
da que vamos conhecendo as pessoas, vamos criando expectativas...demasiadas expectativas! Parece que aquilo que pretendemos é fazer com que as pessoas se tornem naquilo que não são mas sim naquilo que, por ventura, nós gostaríamos que fossem. Na nossa cabeça, criam-se ilusões que, no profundo íntimo do nosso ser, desejaríamos que se transfomassem em imagens reais. Estamos tão ocupados com a tentativa de construir sonhos maravilhosos e de idealizar mundos justos onde co-habitam pessoas com personalidades perfeitas, que tudo à nossa volta acabar por se tornar numa fantasia. Um conto de fadas onde, no final, os vilões acabam sempre por ser devidamente punidos e os bons vivem felizes para sempre. Mas quando acordamos para a realidade todas essas imagens dão lugar a simples miragens que, na tentativa de as alcançarmos, desaparecem. Quando abrimos os olhos, o conto de fadas torna-se num filme de terror e o sonho dá lugar ao pesadelo. Todos os nossos ideais e tudo aquilo que desejávamos ser real desvanece-se com um simples piscar de olhos e sentimo-nos presos, numa espécie de solitária, vivendo num mundo às escuras.
E talvez seja esse o motivo de termos desilusões constantes. Na nossa mente, tentamos criar tudo à nossa maneira de uma forma entediantemente organizada. E gastamos tanto tempo a fazê-lo que nos esquecemos que o mundo real é bastante diferente. Ou, se calhar, esquecemo-nos disso propositadamente, apenas porque nos assusta. Custa-nos enfrentar o desconhecido e tudo aquilo que não gostamos, que não é como nós gostaríamos que fosse. E, dessa forma, fugimos, refugiamo-nos nas nossas ilusões, no nosso mundo perfeito, tentando nunca sair dele.
Mas, na minha opinião, nós, como seres humanos, não deveríamos deixar-nos iludir tão facilmente. E, só assim, não nos desiludiríamos.

terça-feira, 6 de maio de 2008

faith

"And God show me how I'm supposed to trust in things beyong my sight. So teach me how to kneel, when I don't know what to feel and show me where you are when my faith can't reach that far(...)" EleventySeven - Reach that far

Diz-me como desejas que todos nós tenhamos fé, como queres que acreditemos em forças sobrenaturais e num ser superior quando tudo o que fazes é tirar-nos aquilo que mais amamos, é arrancares-nos o coração, os olhos, o estômago, os pulmões. É por Ti e por tudo aquilo que (não) fizeste que sou assim, tão céptica. Tento ser positiva e ter algo exterior onde me possa apoiar, mas é impossível. Não acredito mais. Não depois daquilo que vivi, não depois daquilo que ela viveu, não depois daquilo que ele viveu e não viveu, não depois de todo o sofrimento por qual passámos. Não mais!
Acreditem em espíritos, em Deus, em forças superiores, em milagres. Se isso vos faz feliz, ainda bem :) Mas não mo peçam para o fazer também.

terça-feira, 29 de abril de 2008

É-me completamente impossível não ficar afectada com aquilo que as pessoas que me rodeiam dizem/pensam de mim. Posso dizer que não me importo, mas a verdade é que importo e não é pouco! Não que os meus actos possam depender desses comentários e dessas opiniões mas, de certa forma, pode ser uma maneira se estarei a tomar a atitude mais acertada ou não.
No entanto, as pessoas "levam isso demasiado à letra" e acabam por levar tudo para o exagero; passam de "oito a oitenta". Metem-se sempre onde não devem, comentam sempre o que não sabem.
É tão mais fácil julgar e comentar quando se está de fora, quando se é nada mais que um mero espctador, que se limita a aprovar ou reprovar a peça à qual assistiu. É fácil querer que nos compreendam; difícil é compreender os outros. Parar e tentar pormo-nos na posição de outro é realmente um verdadeiro desafio. Porém, praticamente ninguém o faz: optam todos por seguir o caminho mais fácil de se percorrer, exigindo que outros sigam o mais difícil. E enquanto o fazem, olham de lado, goxam, criticam, julgam sem saber qual o verdadeiro enredo da história. Limitam-se a falar sem perceber nada do assunto, porque é "fixe" metermo-nos na vida das pessoas e dizer mal das acções e decisões tomadas por eles.
E é assim, parece que cada um de nós passa a vida à espera de encontrar alguém verdadeiramente puro e honesto. E esses alguém é sempre difícil de encontrar...

domingo, 13 de abril de 2008

mais.

Mesmo quando pensas que não podes desiludir mais, que todos os erros possíveis de cometer já foram cometidos, que já magoaste o suficiente e que agora basta...Tudo se vira contra ti e fazes tudo ao contrário. Magoas, desiludes, cometes exactamente os mesmos erros (imperdoáveis e inesquecíveis), tornas-te egocêntrica e egoísta. Tens vergonha de ti mesma, deixas de ter orgulho na pessoa que te havias tornado e sentes-te vazia. Se pudesses, escavarias um buraco e esconder-te-ias lá dentro. Refugiar-te-ias longe de tudo e de todos. Torna-se mais fácil quando se foge. A fuga nunca deveria ser solução, mas e se for a única que nos sobra? Ou se for a única que nós estamos dispostos a utilizar? "Um dia, todos acabarão por esquecer" desejas

É muito mais fácil julgar quando estamos de fora. Acabamos todos por olhar para o nosso próprio umbigo, muitas vezes. Vezes demais, ess
as.

sábado, 29 de março de 2008

:x

Não sei o que é...sei que penso demasiado na vida, em coisas que muitas das pessoas não pensam. Coisas ridículas, possivelmente. Às vezes, juro que desejava ser diferente. Não para que os outros pudessem gostar de mim, mas de maneira a que eu me pudesse orgulhar de mim mesma, de maneira a que eu pudesse gostar de mim mesma. O meu maior medo é falhar, magoar, desiludir. Não há nada como magoar aqueles que mais amas, como ver uma cara de pura e completa desilusão a olhar os teus olhos. Mas às vezes, sinto que carrego um peso tão grande nos meus ombros que penso que o mundo vai desabar sobre mim e que eu serei a culpada. É inevitável. Ainda não encontrei maneira alguma de acabar com isto, e acho que nunca mudarei. Faz parte de mim, nasceu e cresceu comigo, penso que também morrerá a meu lado.

quarta-feira, 19 de março de 2008

:')

Hoje, pela primeira vez, fui lá sozinha.
Custou-me, acredita que sim! Mas há coisas que precisamos de fazer e eu fi-lo, por ti.
Visitar-te-ei mais vezes, a partir de agora.

sábado, 8 de março de 2008

Amizade.

Às vezes dou por mim a pensar se a verdadeira amizade existe. Todos nós estamos rodeados de pessoas fúteis, egocêntricas e falsas. Pessoas que são tudo aquilo que nós gostávamos que elas fossem connosco, mas que, mal viramos costas, apunhalam-nos. Não sei de onde vem tamanha falsidade ou maldade. Nem sei sequer se se trata de maldade ou não. Custa-me imaginar que há pessoas que podem ter esse tipo de personalidade. Custa-me imaginar que há pessoas que reagem assim. São coisas que não podem ser estudadas e muito menos compreendidas. Se há alguém que compreenda, então que me explique.

Mas depois, observo todos os pequenos pormenores que a minha vida tem e apercebo-me que, sim, a verdadeira amizade existe. Não sei defini-la e muito menos explicá-la. É do tipo de coisas que só se percebe quando se sente. É daquelas certezas que florescem e continuam a crescer a cada dia que passa.
Neste mundo de coisas e pessoas superficiais ainda é possível conhecer alguém onde encontramos uma pureza, uma inocência de tal tamanho que nos dá vontade de continuar a viver. Kant admite que a pura intenção ou "vontade santa" não existe em ninguém. Não gosto de contradizer um grande filósofo, mas, em certas circunstâncias, acho que há pessoas que possuem essa característica.
A esse tipo de pessoas eu gosto de chamar de Verdadeiros Amigos. Para mim, são aqueles que se preocupam connosco, que nos dão algo sem esperar receber nada em troca, que nos apoiam incondicionalmente, que ficam e lutam connosco contra qualquer obstáculo, que nos ajudam a alcançar um determinado objectivo e a superar as dificuldades do dia-a-dia, que não fogem e não desistem de uma relação de amizade, que têm a capacidade de nos fazer esboçar um sorriso só por os termos ao nosso lado, que têm sempre um ombro disponível onde possamos chorar, que sabem coisas de nós que mais ninguém sabe. Para mim, a verdadeira amizade é aquela que é construída à base da confiança, que não precisa de possuir um "adoro-te" ou um "amo-te" porque isso já é sentido, onde a saudade é uma constante e que nos dá um aperto no coração.

E, mesmo apesar de não dizer "amo-te" a todos aqueles que me rodeiam, não significa que não os considere meus amigos. Essa palavra, para mim, só serve para expressar um sentimento mesmo forte. O que acaba por ser ridículo, visto que os sentimentos são das coisas mais difíceis para se expressar.
E aqueles que considero Amigos Verdadeiros...esses mantenho-os sempre comigo, levo-os sempre ao meu lado onde quer que eu vá.
E tudo o que posso fazer é deixar um grande Obrigada a todos por tudo.
Sem eles eu não era nem um oitavo daquilo que eu sou.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

irónico pensar que será para sempre.


Mudei-me recentemente.

Um novo "lar" com um novo tecto e coisas recentes e desconhecidas com um perfume agradável. Estou rodeada de pessoas que conheci há bem pouco tempo, no entanto já consigo chamá-las de Amigos.
Gosto deste sentimento, desta sensação de conforto e de carinho, desta partilha de momentos e deste à-vontade que sinto quando estou com eles. No entanto, será que a descoberta destas novas pessoas, estas novas amizades implicam o desvanecimento de amizades antigas? Temos de nos separar daqueles com quem sempre passámos tudo, desde as piores discussões às melhores gargalhadas? É duro pensar que isso acontece, mas a realidade está à vista de todos. Esforçamo-nos e ninguém pode afirmar o contrário mas, por vezes, esse grande esforço não é suficiente. Por vezes, a força de vontade, a esperança, a confiança e o amor não conseguem ganhar a batalha que travam. E tudo acaba por se ir perdendo, aos poucos, umas vezes sem nos apercebermos e outras, observando imunes, sabendo que não há nada que possamos fazer.


Tudo o que nos resta é a saudade. Saudade de tempos que eram espectaculares, mas que não voltarão. Tempos em que nada mais importava e em que aquela amizade era a mais importante. Tempos em que partilhávamos tudo desde um pequeno e simples "amo-te", às anedotas mais ridículas e a momentos vulgares do dia-a-dia.
Não é irónico dizer que é para sempre? Dizer que aquelas pessoas mesmo especiais para nós são insubsituíveis? No fim de contas, acabamos por fazer novas amizades e as antigas, mesmo que não saiam da nossa mente e do nosso coração, vão-se dissipando, restando apenas a memória, até ao dia em que também esta se irá apagar.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Dad...


Era para ti que eu costumava viver.
E agora? Para quem ei-de viver agora?

Nunca fiz o suficiente, nunca aproveitei tanto como devia. Não sabia que poderia ter consequências tão drásticas. Era tão nova. Tinha idade suficiente para entender, claro. E acabei por entender. Sofri também. Mas agora sofro mais, muito mais. Talvez por ter amadurecido tanto e de me fazeres mais falta nesta altura da minha vida. Talvez por tomar consciência de que nem tudo é eterno, que acidentes acontecem e o que hoje nos é dado como garantido, amanhã pode mudar drasticamente. Talvez por me aperceber que fui uma idiota e que fiz sempre tudo errado em relação a ti. Ainda não encontrei a explicação adequada, mas sofro todos os dias, uns mais que outros.
Sonho contigo tantas vezes! Acordo ofegante e transpirada. As recordações desses sonhos nunca são muito exactas, ainda não consegui perceber bem porquê.
O meu maior desejo era nunca te esquecer, lembrar-me de ti sempre, recordar-me do teu sorriso com um simples piscar de olhos. Mas quando me tento lembrar de ti, sei que a imagem que tenho tua está cada vez mais desfocada. Preciso de recorrer a fotografias. Um pouco rdículo, não? Lembro-me de tantos momentos que passei na tua companhia, lembro-me da tua maneira de ser, da maneira como sorrias para mim e me abraçavas sempre que eu precisava. Da maneira como me dirigias cada palavra e da maneira como vivias, tão única e tão especial. Do orgulho que sempre sentiste na nossa família, da tua expressão quando te chateavas com alguém e do facto de tomares sempre aqueles que te rodeiam em consideração, de pensar neles antes de pensares em ti e de baseares as tuas decisões nisso mesmo. E eu, simplesmente, nunca soube tirar proveito disso. A inocência própria duma criança que não se apercebe deste tipo de situações. Nunca havia pensado num futuro sem ti. Nem me despedi, sequer. Culpo-me todos os dias. Não por te teres ido embora, mas por não ter visto o teu rosto antes de partires, por não te ter dito o quanto eras (e és) importante para mim, o quanto te amava e que eras o melhor do mundo e das melhores pessoas que eu poderia algum dia conhecer.

Gostava tanto que estivesses junto de mim. Gostava que me visses agora. Cresci tanto! Mudaste-me tanto. Sim, foste tu. O mérito é todo teu (e dela também, eu sei). Acho que te ias orgulhar da pessoa que me tornei nestes últimos anos. Amadureci muito (talvez até demais, tomando em conta a minha idade), perdi aquelas manias estúpidas e aquela maldade que é tão comum na maioria das crianças, aprendi a verdadeira distinção entre o bem e o mal e deitei ao lixo todos aqueles que me rodeavam e que eram constituídos por pura e simples falsidade. Comecei a ser eu mesma e impedi que a opinião dos outros influenciasse, de maneira alguma, as minhas decisões. Quando olho para mim, revejo-te. Dizem que estou parecida contigo e, para mim, é dos maiores elogios que me podem fazer.
Alcancei tantos objectivos! E ainda tenho tantos por alcançar. Desejava que os pudesse alcançar na tua companhia, que me ajudasses a alcançá-los. Gostava que me tivesses ensinado coisas comuns do dia-a-dia, coisas que tive de aprender sozinha, à minha maneira. Gostava que ainda me continuasses a ensinar tudo o que preciso de saber para sobreviver sozinha.
E, sabes, nunca a deixo sozinha. Tu sabes que não. Estou sempre aqui para a apoiar e nunca deixo que ela se vá abaixo. Não posso. Preciso de ser forte por mim e por ela, eu sei. Já sou uma mulherzinha agora, posso tomar conta de nós duas.

Só pedia que as coisas tivessem sido diferentes. Toda a gente me diz o mesmo: que tenho que ser FORTE e que tu não ias gostar de me ver a sofrer. Eu sei que é verdade, mas não deixa de ser difícil, sabes? Tento seguir sempre aquilo que me dizem. Penso em ti, mas tento pensar sempre em coisas positivas. Mas sou um ser humano, tenho os meus pontos fracos e também me vou abaixo, sem ninguém saber de nada. Sozinha, fechada no quarto, soluço baixinho para não me ouvirem. E deixo as minhas frustrações e toda a minha mágoa trancadas numa gaveta e partilho os meus sentimentos e as minhas palavras contigo. Estas lágrimas que percorrem a minha face são tuas. Pertencem-te e nunca ninguém as irá roubar de ti, de NÓS. Tu farás sempre parte de mim. Trago-te sempre comigo.

À noite, quando tenho a possibilidade de olhar para o céu e vejo a estrela mais brilhante, gosto de pensar que és tu, a olhar por mim, a olhar por todos nós. Sei que, estejas onde estiveres, estás em paz e não sofres mais.

A ti, meu PAI.