quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vai onde te leva o coração

“Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem. Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a linfa custa a correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem. As raízes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás cobrir-te de flores e de frutos. E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera a volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar”


Susanna Tamaro
Vai Onde Te Leva o Coração

terça-feira, 28 de abril de 2009

Remendos

Pouco a pouco, as pessoas que ajudaram a remendar os buraquinhos do teu coração e a curar as suas feridas vão-se indo embora. E, de repente, os pontos e os remendos saem e voltas ao que eras.

E aí perguntas-te: o que irás fazer sozinha?

domingo, 26 de abril de 2009

Stars

Já é muito tarde, nem sei que horas serão, mas também...pouco me interessa. Estou sentada no chão frio do meu quarto, encostada à parede, com os phones nos ouvidos a passar umas músicas antigas que passei para o meu telemóvel há umas horas atrás. Mais uma vez ponho-me a pensar em ti e, mais uma vez, o meu coração enche-se de tristeza, solidão e saudade. Não sei quantas vezes já repeti este serão, tornou-se de tal forma parte da minha rotina que lhes perdi a conta. Abro a persiana sem me importar com o barulho que ela faz ao abrir. Olho lá para fora e inclino a cabeça para o céu. Quero ver as estrelas e admirá-las enquanto estás no meu pensamento, quero sentir-te perto de mim. Continuo à procura e a minha busca parece não ter fim. O céu está tão escuro e carregado, nem uma única luz. Que aperto! Parece que é a desvantagem de viver na cidade, a poluição impede-nos de desfrutar das melhoras coisas que existem. Quem me dera estar lá, naquele sítio onde costumava deitar-me de barriga para cima e olhava para aquele céu tão estrelado, tão bonito e mágico. Onde não existia mais ninguém, só as estrelas e eu...só TU e eu!
Então, limito-me a carregar novamente no botão para baixar a persiana e deito-me na cama, ainda com os phones postos. Estou exausta. Estou cansada de chorar e cansada de sofrer. Mas sei que não é um desperdício sofrer por ti. Se isso significar nunca te esquecer, então desejo sofrer desta maneira todos os dias. Já que não podemos estar juntos, ao menos que te possa trazer sempre comigo, que te possa sentir a meu lado.
E assim, acabo por adormecer, enquanto as lágrimas me caem pelo rosto e molham a almofada, e a música me tenta reconforta
r.

Escrito num dia destes.

happiness

"Maybe we're not supposed to be happy. Maybe gratitude has nothing to do with joy. Maybe being grateful means recognizing what you have for what it is. Appreciating small victories. Admiring the struggle it takes simply to be human. Maybe we're thankful for the familiar things we know. And maybe we're thankful for the things we'll never know.
At the end of the day, the fact that we have the courage to still be standing is reason enough to celebrate."


Grey's anatomy
Para ser diferente.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

fight

Luta, faz-te à vida! Tira as pedras da tua estrada que te deixam cansada e com os pés doridos. Aproveita-as e constrói um passeio, onde possas andar sem medo de seres atropelada, sem receio de caíres e não teres forças para te levantar. Pega na tua guitarra e numa pauta vazia. Deixa de tocar as músicas que toda a gente conhece e canta; cria a tua própria melodia, elabora a música da tua vida. Quando o tiveres feito, agarra a guitarra e percorre o teu passeio, enquanto cantas e tocas. Aí então vais perceber o que tens andado a perder durante todo este tempo, enquanto te trancavas na cave, com as mãos a cobrir a cara e esta encostada aos joelhos, com o mp3 nas alturas a passar aquelas badaladas deprimentes.
Aí vais perceber que a vida não é uma jóia nem uma moeda de ouro; a vida é o tesouro inteiro. Tesouro esse que não vais querer desperdiçar nem dar a ninguém de mão beijada.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

all you can do is just wait

Eu não percebo o que vai naquelas cabeças. Não percebo a quem é que eles saíram assim. São tão diferentes de mim, o completo oposto. Não têm objectivos na vida, não têm sonhos, não têm força para lutar, desistem de tudo a meio, só pensam neles sem pensarem no mal que lhe fazem (a ela), no mal que me fazem, no quanto o desiludiriam. Há dias em que não aguento, não dá para aguentar. Torna-se demasiado doloroso. O pior é que às vezes acho que cada vez é mais frequente este tipo de situações. Como é que eles conseguem? Como é que conseguem passar por cima dela, por cima de toda a gente, rejeitar as opiniões dos outros e achar que são os donos da verdade? Como é que não lhes pesa a alma e lhes dói o coração depois de todas as más coisas, depois de tudo aquilo que já fizeram? Não consigo compreender.
Há dias, como os de hoje, que não existe mais vontade de lutar. Fico tão cansada. Ainda mais por saber (ou tentar imaginar) aquilo que ela passa. Sei que se sente demasiado frustrada. Ela não merecia isto, aliás...não merecia nada do que já lhe aconteceu. "Se não fosse por ela, tenho a certeza que já não estaria aqui", ouvi-a dizer uma vez. Tudo isso me corrói por dentro.

Tenho vontade de fugir, para bem longe de tudo isto. Tenho esperança que mude, um dia. Mas quando é que chega esse dia? Não vejo a hora de isso acontecer.
E estou aqui a escrever, enquanto ouço discussão atrás de discussão, à espera que pare e se desvaneça.

domingo, 19 de abril de 2009

Pain

Custa-me pensar que daqui a uns anos nada vai ser como é agora. Custa mesmo.
Eu gosto do agora. Eu gosto da minha juventude, gosto de estar com os meus amigos, gosto dos amigos que tenho, das pessoas que me rodeiam, gosto das actividades que faço e dos momentos que passo. Gosto das gargalhadas que dou e das lágrimas que deixo cair. Gosto da minha vida tal como ela é, no agora. Gosto de viver o presente, relembrar o passado mas temo em imaginar um futuro. Sei que nada vai ser como é agora e isso deixa-me com aquele friozinho no estômago.

Custa-me saber que as pessoas que amo vão deixar de fazer parte da minha vida, que as vou "perder" para outras. Custa-me olhar para o lado e ver toda a gente a crescer e a traçar o rumo, enquanto eu fico agarrada ao passado.

É, mas estes sentimentos que me angustiam ficam dentro de mim. A minha força de vontade é superior à minha vontade de chorar e por isso engulo tudo. Deixo as tristezas dentro do cofre, fechado a sete chaves e saio da casa com o maior dos sorrisos.

fairy tails

Quando somos crianças passamos a vida a ouvir histórias de contos de fadas. Nas nossas brincadeiras, fingimos ser princesas com longos vestidos cor-de-rosa e uma tiara na cabeça, no cimo de uma torre, à espera que o nosso príncipe encantado chegue, derrote o dragão e nos salve. Todos os dias inventamos um novo enredo, mas o final nunca muda "E viveram felizes para sempre!". E toda a gente à nossa volta insiste em continuar a criar-nos esse tipo de ilusões, a contar-nos histórias de encantar onde tudo é perfeito!
Mas a verdade é que depois acabamos por crescer e deixamos de ser aquelas crianças inocentes que acreditam em tudo. Somos obrigados a encarar a dura e cruel realidade e tudo aquilo que pensávamos conhecer parece desabar sobre nós. E a atitude das outras pessoas, que em tempos nos contavam contos de fadas, também muda. Agora dizem-nos que esse tipo de coisas são para crianças e que nada disso existe.
Pois bem...já soube o que era acreditar nesse tipo de sonhos e também já soube ser completamente céptica em relação a esse assunto, tal era a desilusão. Actualmente, não se trata de acreditar ou não; trata-se de uma pontinha de esperança e penso que provém da parte de mim que ainda é criança. Esperança que haja um príncipe encantado algures adequado a mim, o Meu Príncipe que chegue e me salve do dragão. A pessoa que me saiba amar da maneira que eu mereço e que me faça feliz para sempre. Sei bem que príncipes, princesas e dragões só existem em contos de fadas, mas gosto de pensar que existe alguém que poderá ser a minha "alma gémea". E sei que, quanto menos esperar, ele há-de aparecer e eu vou ter direito à minha própria história. E ei-de conseguir o meu final feliz!