A capacidade para redigir uma história não se baseia apenas numa boa dose de imaginação e numa mão cheia de criatividade. Nem todos têm essa capacidade de viajar até outro mundo, de criar uma vida imaginária e de transportar essa ilusão para um pedaço de papel. Mas acaba por ser fácil. Mais fácil. Aliás, é sempre mais fácil quando nos tentamos ver num corpo que não seja o nosso, numa realidade que gostaríamos de vivenciar. Chega até a ser fácil transpormo-nos para situações pelas quais nunca passamos, pois podemos especular sobre o que sentiríamos. Podemos criar diferentes princípios e dar-lhes diferentes fins, felizes ou não. Difícil é expor os nossos verdadeiros sentimentos e contar a história da nossa vida. Se quisermos ser honestos, não podemos inventar situações que não aconteceram e temos de reviver tudo, até os momentos de sofrimento. E só aí é que nos tornamos brutalmente vulneráveis, tendo de superar o desafio de encontrar as palavras certas para descrever cada emoção e criar uma história que relate, ponto por ponto, cada acontecimento. Difícil é redigir algo que nos traga à memória, de cada vez que o lemos, aquele momento tal e qual como ele aconteceu e, pior ainda, fazer com que quem não passou por isso seja capaz de se transportar até ao nosso mundo.


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