segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

I'm such a coward

- Desculpa-me, Emily. Eu juro que não te volto a deixar, eu juro que agora é para sempre. 

Continuaste abraçado a mim, como se o mundo fosse acabar dali a umas horas, como se não houvesse nada ao nosso redor, como se o tempo tivesse parado ali mesmo. Eu permaneci quieta, envolvida pelos teus braços. Sentia as tuas roupas molhadas coladas ao meu corpo, e os teus lábios gelados como a neve encostados na minha testa. Não me apercebi sequer que estava a chover torrencialmente e também não me quis preocupar com as nossas roupas completamente encharcadas em água. A minha expressão era de apatia e tristeza, o meu pensamento estava em branco e os meus olhos fixavam aquele vazio incapaz de preencher aquele momento. Aquele dia em que tu te despediste de mim, entraste no comboio e me deixaste sozinha na estação percorreu-me rapidamente a memória, assim como todas aquelas horas passadas a chorar, sem comer e sem dormir, na tua ausência. Naquele instante, tive uma vontade imensa de me desprender do teu abraço, de fugir dali e de nunca mais te ver. Apetecia-me bater-te e gritar-te bem alto que era tarde demais, que eu não era um brinquedo com o qual podias brincar e deitar fora sempre que te apetecesse. Quis insultar-te e fazer pouco de ti por teres desperdiçado uma garota como eu, que nunca mais iria voltar para ti. Mas, como tantas outras vezes, não tive coragem de o fazer. O meu corpo tinha esgotado as poucas forças que lhe restavam, a minha voz tinha ficado enjaulada na garganta e a minha razão tinha endoidecido de vez. Queria que continuasses a agarrar-me porque apesar de sentir o teu corpo húmido, ele continuava quente, como sempre tinha sido (exactamente como eu me lembrava dele). Não fui capaz de te dizer que não, não fui capaz de me ir embora, não fui capaz de te fazer aquilo que tu me fizeste. Porque sou uma fraca, porque sou, sempre fui e sempre serei uma covarde. Porque te amo excessivamente, descontroladamente e irracionalmente, porque preciso de ti em demasia, porque não sei viver sem te ter a meu lado. Então ali fiquei, colada a ti, debaixo daquela chuva e daquele frio, na esperança de que agora fosse diferente. Na esperança de que agora sim, o teu "sempre" não iria ter um fim.

Mais um completamente inventado.

4 comentários:

  1. Anónimo7/2/11 15:50

    gostei muito, parabéns*

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  2. Se essa pessoa não agarrou as oportunidades que lhe deste: diz-lhe bye bye porque não vale mesmo a pena!

    "como tantas outras vezes, não tive coragem de o fazer. O meu corpo tinha esgotado as poucas forças que lhe restavam, a minha voz tinha ficado enjaulada na garganta e a minha razão tinha endoidecido de vez." - É incrível que este texto, puramente inventado, se adapta àquilo que se anda a passar comigo. Já fui substituído e despedaçado mas no entanto a pessoa volta até mim e eu volto a cair. Isso não é doidice. É amor. Um amor louco <3

    Ah, adorei, claro :D

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  3. tão doce e delicado ;D

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