É aquela minha parte possessiva, é o querer ter tudo para mim e não poder. É aquele medo do futuro e de deixar o presente tornar-se passado. É o medo da cápsula do tempo, da caixinha de recordações guardada no sótão abandonada e esquecida, do álbum de fotografias velho e poeirento, de um monte de diários empilhados de alturas em que os "i"s ainda levavam um coraçãozinho em vez de um ponto. É aquele sentimento que me invade e me traz memórias de alguém que já fui mas que tentei deixar de ser. É daqueles momentos em que volto a ser quem era e tudo o que construí é destruído lentamente. Eu jurei. Eu jurei a mim mesma que mudava. E por isso fico calada e engulo. Engulo tudo e finjo que tudo está normal. Fingidora, é o que sou.
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