sexta-feira, 26 de abril de 2013

Trust

Gosto de dizer a mim mesma que não deixei de acreditar no amor verdadeiro. Teimo em gritar ao mundo que não vai ser uma má experiência de vida que me vai levar a rotular todos os homens como uns idiotas, todos iguais e que, algures, haverá aí alguém diferente que me levará a crer de novo que ser verdadeiramente feliz é possível. Mas, na realidade, não é por repetir muitas vezes a mesma coisa que a tornará realidade. No fundo, sei que há um medo constante que me consome a alma e me impede de me voltar a entregar completamente a quem quer que seja. Receio em deixar novamente o meu coração nas mãos de alguém na dúvida de que ele voltará a ser esmagado e destruído. Não quero sentir, uma vez mais, aquele vazio impossível de preencher nem aquela falta de vontade de continuar a viver. Dificilmente iria aguentar se tivesse por passar por tudo aquilo uma segunda vez. Eu sei que ainda me é impossível voltar a acreditar completamente numa pessoa, porque nunca ninguém é verdadeiramente aquilo que pensamos ser. De todas as coisas que aprendi em três anos, esta foi a que mais ficou. E não há maior desilusão, isso vos garanto, do que descobrir que andamos enganados durante tanto tempo acerca de uma pessoa pela qual dávamos tudo. E, acima de tudo, tenho medo de nunca mais ser capaz de confiar verdadeiramente e de me entregar com tudo o que tenho.

domingo, 17 de março de 2013

I hate you

Odeio-te. Odeio-te por apareceres de noite nos meus sonhos, sem aviso prévio, para me atormentares e por conseguires deixar-me de mau humor quando acordo. Odeio-te por estares bem, por teres seguido a tua vida sem olhar para trás, quando eu sou incapaz de seguir em frente com a minha. Odeio-te por teres trancado a sete chaves a gaveta das nossas memórias, enquanto que a minha está estragada e todas as memórias voam no meu pensamento a toda a hora, sem eu as conseguir apanhar e colocá-las de volta no lugar devido. Odeio-te por não teres saudades minhas, ou pelos menos por não o demonstrares, enquanto que eu ainda não descobri o que fazer com este aperto enorme que sinto constantemente no peito e com este vazio que me assombra a alma. Odeio-te por teres marcado a minha vida, por sempre teres feito parte dela e por teres deixado tanta coisa boa para eu recordar, pois com tudo isso torna-se impossível odiar-te. Odeio-te por teres ido embora, mas ainda assim não teres saído do meu coração. Odeio-te por todas as promessas que fizeste e quebraste e por todas as juras de amor que fizeste em vão. Odeio-te por me teres feito acreditar que o verdadeiro amor existia e por destruíres todas as minhas esperanças e sonhos. Odeio-te por me teres feito sentir que eras o homem da minha vida e por me fazeres pensar que nunca vou encontrar ninguém igual ou melhor que tu. Odeio-te por ainda mexeres tanto comigo. Odeio-te porque quero odiar-te e não consigo. Odeio-te porque quero esquecer-te e, mesmo sem eu me aperceber, continuas sempre presente. Odeito-te mas não te odeio realmente. E, ao menos, também não te amo (mais).