domingo, 30 de janeiro de 2011

Lover

A música está incrivelmente alta e convidativa e eu, aqui sentada ao balcão a apreciar a minha vodka preta com limão admiro-te ao longe, a dançares com ela. Trazes vestida aquela camisa preta que eu sempre adorei e o teu cabelo flui levemente à medida que balanças o corpo entroncado e musculado. Adoro ver-te mexer dessa maneira, sempre achei que tinhas um jeito incrível e único de dançar. Dou um gole na minha bebida e desvio o olhar de cada vez que me encaras. Tu bem sabes que eu te estou a fitar de longe e fazes de propósito para te exibires e me provocares. Olho-te de soslaio e imagino-me aí a teu lado, no lugar dela. Imagino as tuas mãos na minha cintura e os teus braços a agarrarem-me com força, enquanto os teus olhos fitam os meus e a tua boca se aproxima da minha e me beija apaixonadamente. 
Mas tudo isto não passam de sonhos, porque quem está contigo é ela. É a ela que tu dás os beijos mais apaixonados, é com ela que tu andas de mão dada no meio da multidão, é ela quem tu apresentas aos teus pais e levas a jantares de família. É a ela que dás o teu amor, que te entregas com toda a tua alma. A mim restam-me aqueles beijos que te consigo arrancar de vez em quando, as noites em que tu estás podre de bêbado e te deixas cair na tentação, as mensagens que me mandas enquanto estás com ela a dizeres que tens saudades minhas, os passeios em praias desertas, onde ninguém conhecido nos pode ver, ao fim da tarde depois de lhe mentires e dizeres que ficas em casa a estudar, os dias em que ela vai de férias e tu estás carente. Para mim sobram as mentiras e uma vida de ilusões, porque sei que, na realidade, nunca serás verdadeiramente meu, só meu. Eu não te quero partilhar com ninguém, mas ao mesmo tempo não quero ter de me separar de ti. Acabo por me contentar por poder ser tua amante, por poder ter um beijo teu ou um abraço, de vez em quando. Dizes que sou eu quem amas verdadeiramente, mas não és capaz de te separar dela. Eu contento-me com isso porque quero estar contigo, porque faço tudo para te ter. Faço por acreditar nas tuas palavras, mesmo sabendo que podem não ser sinceras. Tenho a certeza de que ela tem direito a essas mesmas palavras, a esses mesmos abraços, a esses mesmos beijos. 
Eu contento-me apenas em ser tua amante, porque te amo. Esta é uma vida de cão, mas foi a vida a que tive direito, foi a vida que eu escolhi para mim.

(Mais uma vez, tirado da cabeça e não do coração :))

8 comentários:

  1. Estáaa lindoo. :$ isto acontece mesmo? tu descreves de uma forma que quem lê consegue pôr-se na situação. Parabéns pela escrita *.*

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  2. Muito bom, Diana!

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  3. Então parabéns, porque está fantástico. *.*

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  4. Muito obrigada pelo elogio querida (:
    Está LINDO *.*

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  5. Eu só consigo imaginar-me no outro papel. No papel da "ela"... já imaginaste o quão sofrido deve ser? :$

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