Aquele dia aproxima-se, o teu dia. É estranho pensar nisso porque ainda não decidi como vou agir quando o relógio marcar a meia-noite do dia catorze de Abril. Será o primeiro ano em que não vou partilhar esse dia contigo e, quem sabe, a primeira de muitas vezes em que, para mim, será apenas um dia como tantos outros. Não sei sequer se tu vais achar estranho, mas gosto de acreditar que sim. Gosto de acreditar que, pelo menos, em algum momento dessas vinte e quatro horas tu vais olhar para o telemóvel e pensar "ela não me disse nada" e vais desejar que as coisas não tivessem tomado este rumo. Na realidade, não estou segura do que devo ou não devo fazer, mas elas têm razão quando me dizem que não te devo absolutamente nada. Nós agora somos meros estranhos. Passas por mim, desvias o olhar e finges que não me conheces e eu faço o maior dos esforços para fazer o mesmo. Se nos últimos meses não trocamos uma palavra que fosse, porque haveria eu de te mandar uma mensagem de parabéns?
Vai-me custar e dói só de pensar nisso. Mas se eu quero seguir em frente, se eu te quero esquecer de verdade, não é isso que tenho de fazer? Fingir que não existes e apagar-te de vez da minha vida?

faz o que o teu coração pensa.
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