domingo, 9 de março de 2014

True love

Enquanto somos crianças, não temos a capacidade de perceber a relação dos nossos pais. Eu própria, durante todos estes anos, não compreendia verdadeiramente a dimensão do sentimento que os meus pais sempre nutriram um pelo outro e só ontem, depois de ter acesso a provas concretas disso mesmo, é que fui capaz de o fazer. Fiquei encantada, como qualquer outro filho ficaria, até porque agora tenho a certeza que o relacionamento que eles tiveram é e sempre foi aquilo que eu algum dia poderia idealizar para mim...
O verdadeiro problema nisto tudo foi eu me ter apercebido que já senti aquilo por alguém. Já me senti perdida de amores, com vontade de escrever histórias de amor sem fim, concebi planos ao lado dessa pessoa e imaginei-me ao lado dela o resto da vida, independentemente do que o futuro nos pudesse trazer. Mas foi sol de pouca dura, é verdade. Talvez ainda fosse demasiado imatura e não tenha passado de um devaneio, de algo que eu queria muito, mas que nunca existiu. Ou talvez eu tenha sentido de verdade por aquela pessoa o que o meu pai sentiu pela minha mãe. É triste, é verdade. Porque embora eu goste de imaginar que ainda vou ser muito feliz ao lado de outro homem, não sei até que ponto acredito que serei capaz de amar verdadeiramente alguém outra vez. E já não se prende sequer com a questão de não saber se encontrarei uma pessoa como ele (pelo contrário, melhor do que ele é o que não falta por aí), mas sim com o facto de o meu coração ter esta insistência de ser tão fiel ao que sente. Olhando para trás, mesmo após estes anos todos, tenho a certeza daquilo que senti e sei que foi Amor. E agora, cada vez mais, existe um medo crescente que me atormenta a alma e me consome o espírito. Queria tanto ser capaz de continuar a acreditar...

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