Tenho mesmo de te deixar partir, seguir o teu caminho. Há muito que ando numa luta para o tentar fazer e, apesar de inúmeras tentativas em mostrar ao resto do mundo que isso é o que está a acontecer, a verdade é que ainda estou à espera. Incrível como é que com 27 anos ainda me consigo comportar como uma miúda de 10. Como se os contos de fadas existissem de verdade ... Embora não tivesse nada com que a alimentar, esta ínfima esperança foi sobrevivendo dentro de mim. Provavelmente não fiz o suficiente para acabar com ela de vez. Não lhe dei adubo para crescer mas não fui capaz de a expulsar de dentro de mim. Por medo? Sei que estou ainda demasiado agarrada ao passado, às memórias que tenho contigo e isso faz-me pensar em todos os planos que tínhamos juntos e no quanto eu ainda gostava que eles se pudessem concretizar. Só que eu estou a fazer isto a mim mesma. Estou a impedir-me de seguir verdadeiramente em frente. E com que pretexto? Quando eu sei.. eu sei que tu não vais voltar. Eu sei que tu não és como eu. Tu segues em frente sem olhar para trás. Tu levas o teu orgulho contigo e não cedes por ninguém. Tu estás bem assim. Sem mim. Enquanto eu continuo despedaçada sem ti. Enquanto tento sobreviver a mais um dia na tua ausência. E continuo a auto-mutilar-me por me deixar lembrar de ti, por deixar que invadas os meus pensamentos a cada segundo do meu dia, por ainda acreditar que tu talvez sejas a pessoa que me fizeste acreditar seres e que talvez não tenha tudo sido dito da boca para fora. Porque é que eu tive de me apaixonar por uma pessoa como tu? E porque é que continuo sem este amor-próprio que me impede de ver que não preciso de ninguém na minha vida que me faça sentir desta forma? Eu tenho de te deixar partir.
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