quinta-feira, 10 de março de 2011

Jantar

Hoje era o nosso dia. Foi neste preciso dia que, há cinco anos atrás, se deu o início de uma fantástica e eterna história de amor que vai estar sempre presente para contarmos aos nossos filhos e aos nossos netos. Comemoramos esta data durante três anos e neste momento, mesmo sendo o segundo ano que passo sozinha, não consigo impedir que o meu pensamento viaje até ti e até aos momentos que partilhámos. Num acto espontâneo, saio de casa para ir comprar o novo livro daquele que costumava ser o teu autor preferido, assim como adquiro algumas decorações e mercearias. Regresso ao meu lar (que, outrora, já foi nosso) e preparo um jantar digno de um rei. Um banquete, pois tu nunca ficavas satisfeito com pouco. Decoro a mesa da sala de jantar com uma toalha vermelha, coloco uma pequena jarra com duas tulipas e acendo duas velas compridas, com um aroma a lavanda. Ponho a tocar a nossa música, que já foi cantada e dançada tantas vezes por nós, encho os nossos fluttes com champanhe e sirvo o jantar. Sento-me na cadeira à tua espera e apercebo-me que estou a ter uma espécie de deja vu. Acho que já sonhei com este preciso momento: tu tocavas à campainha e, mal eu te abria a porta, beijavas-me suavemente, enquanto abraçavas o meu corpo. O nosso jantar era perfeito, conversávamos durante horas e fazíamos amor intensamente, onde partilhávamos alguns segredos e trocávamos promessas de amor eterno. 
Finalmente, a minha mente consegue fugir deste estado momentâneo de êxtase e apercebo-me de que, hoje, nada será como eu tinha imaginado. Tu não irás aparecer e eu terei de jantar sozinha. Irá sobrar imensa comida e vou passar o resto da noite a arrumar a cozinha e a limpar a sala. Serei forçada a apagar as velas antes de elas derreterem toda a cera e terei de deitar ao lixo as tulipas antes de elas terem tempo para murcharem. Agora sei que tudo não passará apenas de mais um sonho e que as coisas entre nós acabaram definitivamente há dois anos atrás. E nada vai voltar a ser o que era. Infelizmente para mim.


Inventado.

9 comentários:

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