A vida é tão fugaz, passa-nos tão rápido pelas mãos que, quando nos apercebemos disso, já passaram uma data de anos mal aproveitados. Estranho como os melhores anos da nossa vida são aqueles em que somos mais jovens e mais imprudentes. Não temos a racionalidade suficiente para compreender o que está diante dos nossos olhos e acabamos por deixar escapar entre os dedos momentos preciosos que devem ser guardados para mais tarde recordar.
Dou por mim neste momento, em plenos 22 anos de existência - dos quais cerca de um terço certamente não sou capaz de invocar - a analisar tudo o que já passou. Sempre era verdade aquilo que me diziam: "o tempo passa rápido". E não é que passa mesmo? Sinto-me "crescida", é um facto, embora saiba que duas décadas não são nada em relação a uma vida inteira. Mas a verdade é que também não sou capaz de imaginar o que ainda está para vir, não consigo imaginar o que está para além disto. Não consigo mas também não sei se quero. Uma vez mais, sou inundada por este sentimento horrível do medo da mudança, que sempre me acompanhou e teimou em assombrar a minha adolescência. Hoje, vejo todos os meus amigos de infância a terminarem o curso e, embora não pudesse estar mais orgulhosa de todos eles, tenho este receio persistente daquilo que ainda está para vir. Como vão ser as coisas a partir de amanhã? Será que ficam comigo, será que partem? Por esta altura da minha vida, sei que já devia estar habituada a dizer um adeus ou, pelo menos, um "até já", dadas todas as mudanças que já tive de fazer. Mas a verdade é que, mesmo com vinte e dois anos de existência, por vezes parece que o meu coração continua aprisionado àquela criança amedrontada de doze anos. E o medo do futuro invade-me uma vez mais.
Não quero ficar sozinha. Não partam, não me deixem aqui... Não sou capaz de dizer mais "adeus".

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