terça-feira, 22 de dezembro de 2009

«Podemos suportar as desgraças que vêm do exterior: são acidentes. Mas sofrer pelas nossas próprias faltas... Ah!, é esse o tormento da vida.»
Oscar Wilde

É engraçado. É engraçado como simples gestos, meros actos podem estragar toda uma vida construída ao lado de alguém. É engraçado como, nas alturas em que achamos que estamos a agir correctamente, em prol de uma pessoa que amamos, somos capazes de arruinar o seu mundo e de desfazer o seu coração em pedaços. Não sei como o fiz (ou talvez saiba minimamente), não sei porque razão o fiz. Sei que fiz o errado, o que não queria ter feito, o que me arrependo seriamente de ter feito. Mas fi-lo e sei que voltar atrás será impossível e dificilmente será remediado. Desiludi-te, magoei-te, atraiçoei-te. Chama-lhe o que quiseres. Traí e destruí a confiança que depositavas em mim, rompi com a nossa ligação que tão forte havia se tornado em tão pouco tempo. Bem me parecia que era bom demais. Talvez se fosse com outra pessoa, ela fosse capaz de me perdoar. Tu não, tu nunca. Mas não te culpo, quem sabe eu não faria bem pior.
Eu sei. Sei que agi mal, agi instintivamente. Disse que não me queria intrometer mas, como sempre, acabei por fazê-lo e arruinei tudo. E, como sempre, no final fui eu quem saiu magoada, fui eu quem sai
u com as culpas, fui em quem fez asneiras. Não posso pensar mais no assunto e tenho noção de que tenho que seguir em frente. Talvez a nossa amizade não fosse assim tão forte, talvez a futilidade e a superficialidade sempre tenham estado presentes e eu sempre tive a esperança de que fosse algo mais. Talvez não me seja assim tão difícil viver sem ti. Mas é difícil saber que te magoei e ver a tua expressão de desapontamento todos os dias, tudo porque eu errei.

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